Vender o boi magro, engordar ou mandar para o boitel?

Mauricio Scoton
Farmnews

Vamos considerar um caso real, com 3 possibilidades: vender o boi magro, mandá-lo para um boitel ou engordá-lo na fazenda. Qual a melhor opção?

Durante um trabalho de consultoria em uma fazenda de Minas Gerais, apareceu uma decisão comum na pecuária: tínhamos 52 animais, com aproximadamente 400 kg, e 3 caminhos possíveis: vender o boi magro agora, mandar para um boitel ou engordar na própria fazenda.

Antes da conta, era preciso entender o cenário.

A fazenda está em uma região com poucas opções de frigoríficos, distâncias maiores e logística difícil. Na prática, isso significa menor poder de negociação na venda do boi gordo. E esse detalhe muda a conta.

Vender o boi magro agora

Com 400 kg, rendimento inicial de 50% e o boi magro a R$ 410/@, cada animal valia aproximadamente R$5.467. Nos 52 animais, cerca de R$284 mil no caixa imediatamente.

Mas, se eu não vender hoje, abro mão desse dinheiro durante a engorda. Considerando uma aplicação de 1,2% ao mês, os R$5.467 chegariam a aproximadamente R$5.711 por cabeça no mesmo horizonte de tempo.

Esse é o verdadeiro ponto de comparação.

Mandar para o boitel

Consideramos 110 dias, GMD de 1,55 kg, rendimento de 56% e diária de R$18,99. Só que havia outro custo importante: o frete.

O boitel fica a cerca de 400 km, no interior de SP. Com ida e volta a R$7,50/km, são R$6 mil de frete, ou R$115 por animal. Não está considerado o valor do ICMS, pois conseguimos fazer transferência no mesmo CPF.

Com isso, o custo total chegou a aproximadamente R$2.204/cabeça e o valor final projetado ficou em R$6.230. Considerando a venda na praça de SP.

Comparado aos R$5.711 da venda imediata corrigida pelo custo de oportunidade:

+ R$519/cabeça — cerca de R$27 mil no lote.

Engordar na fazenda

Aqui consideramos dieta, consumo, ingredientes, custo operacional, desempenho, rendimento e o preço esperado na praça onde a fazenda normalmente vende seus animais.

O valor final projetado ficou em aproximadamente R$5.811/cabeça, apenas R$99 acima da venda imediata corrigida pelo custo de oportunidade.

E por que 56% de rendimento no boitel e 55% na fazenda?

Porque não faz sentido criar cenários artificialmente iguais. Utilizamos as premissas consideradas mais prováveis para cada alternativa. Na sua fazenda elas podem ser diferentes — e a resposta também.

A conta certa

Neste caso, com essas premissas, o boitel apresentou o maior resultado econômico comparado a vender o boi magro ou engordá-lo na fazenda. Isso não significa que boitel seja sempre melhor.

Mude a diária, o frete, o GMD, o rendimento, a dieta, o preço futuro da arroba ou a praça de venda e a decisão pode mudar.

Por isso, a pergunta não deveria ser apenas:

“Qual alternativa é melhor?”

Mas:

“Qual alternativa é melhor para a minha fazenda, com os meus números e nas condições que eu realmente tenho?”

É esse raciocínio que estamos colocando dentro do GEP OS.

Gestão não é ter uma resposta pronta. É construir a conta certa antes de tomar a decisão.

E tarefas difíceis precisam ser quebradas em etapas fáceis.

Por isso transformamos esse caso real em um simulador. Você coloca seus animais, custos, logística e premissas e compara:

Vender o boi magro × Boitel × Engorda própria.

Tenha acesso ao simulador e veja o que os seus números estão dizendo antes de decidir. Clique aqui e acesse o simulador!

Envie um email para mauricio@scotonpecuaria.com ou no WhatssApp 34 99708-4428

E por falar na opção de vender o boi magro, saiba também que a exportação de bovinos vivos do Brasil no acumulado de 2026, até setembro, foi quase o dobro do praticado no mesmo período de 2025.

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