Conectando o Agro: importância e desafios do setor de transportes no campo!

Renato Cesar Seraphim
Farmnews (Adobe Stock)

Renato Seraphim discute a importância do setor de transportes para o agronegócio do País

Em outubro, tive a oportunidade de discutir os desafios enfrentados pelo agronegócio brasileiro com um público que, mesmo eu com mais de 30 anos no agronegócio, não reconhecia plenamente a sua importância para o nosso setor.

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Essa experiência me fez perceber que, embora lideremos empresas no agronegócio, muitas vezes subestimamos o papel vital que esses profissionais desempenham na cadeia produtiva.

O agronegócio representa aproximadamente 25% do PIB do Brasil, e uma parte significativa dessa contribuição vem do setor de transportes. Desde a chegada de fertilizantes e insumos dos portos até o transporte dos produtos agrícolas para as mesas dos consumidores, a logística é uma engrenagem essencial nesse processo. Não é surpreendente, portanto, que os custos logísticos estejam entre os três principais custos operacionais de qualquer empresa do setor agro.

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Desafios Enfrentados pelo Setor de Transportes

Um evento recente promovido pela GoFlux, uma agtech brasileira que eu tive a oportunidade de trabalhar com eles a fim de reduzir os meus custos logísticos quando ainda CEO de uma empresa de insumos e grãos, e que inclusive já a destaquei como agtechs destaques no Brasil.

Esse evento abordou vários  desafios, permitindo uma discussão aberta sobre questões como clima adverso, flutuações nos preços das commodities, rentabilidade das safras e oportunidades relacionadas à transição da matriz energética do Brasil.

Essa transição, que inclui o etanol, biodiesel, energia eólica e biometano, coloca o Brasil em uma posição única para liderar um futuro mais sustentável e o setor de transportes e os caminhoneiros serão um dos principais beneficiados dessa transição.

Com esses desafios e oportunidades do agronegócio apresentado a esse público e junto a um mapeamento da jornada dos transportadores foi possível abrir uma janela de discussões e de escuta que poucas empresas tiveram a ousadia de realizar.

O setor de transportes no Brasil enfrenta desafios significativos, sendo o maior o envelhecimento da frota. Para se ter uma ideia, a idade média da frota brasileira é de 21,3 anos, em comparação com 16,6 anos em 2013, representando um aumento de 28% na idade média em uma década. Essa idade de nossa frota é o dobro do que o nosso maior concorrente do agronegócio que são os americanos com 11,6 anos.

Essa situação resulta em custos de manutenção mais altos, maior emissão de poluentes e consequente menor rentabilidade.

Além disso, o setor de transportes rodoviários do Brasil é precário: dos cerca de 1,8 milhões de quilômetros de estradas, apenas 12,4% são pavimentadas. Isso eleva os custos operacionais em 30% e resulta em perdas significativas devido a acidentes, tempo parado e roubos de carga, que custam mais de R$1,2 bilhão anualmente.

A Necessidade de Investimentos em Infraestrutura

De acordo com o Fórum Econômico Mundial, o Brasil ocupa a 116ª posição em um total de 141 países em termos de qualidade de infraestrutura. Para melhorar a qualidade de nossas estradas, seriam necessários investimentos de R$82 bilhões.

Para um país que destina R$5 bilhões por ano apenas para manter partidos políticos, esse valor solicitado para melhorar a nossa malha logística é irrisório, se tivéssemos uma visão estratégica para o desenvolvimento nacional.

A escalada do preço do diesel, o aumento das taxas de juros e a burocracia excessiva têm causado prejuízos constantes ao setor. A falta de mão de obra qualificada, aliado a falta de interesse dos jovens em tornar se caminhoneiros, e o desestímulo à modernização tornam-se consequências diretas desses desafios.

 Assim como o agronegócio, o setor de transportes é essencial para a economia brasileira e requer estímulos, redução da burocracia, investimento em inovação e uma rede de proteção mais robusta.

Iniciativas que Podem Fazer a Diferença

Iniciativas como a promovida pela GoFlux são fundamentais para a convergência entre o setor de transportes e o agronegócio. A criação de uma comunidade com mais de 22 mil usuários para a troca de informações, soluções e inovações aproxima grandes marcas dos caminhoneiros e transportadoras.

Colaborações com empresas como Randon, Edenred e Ruedata, que trazem inovações em machine learning e inteligência artificial, demonstram a busca constante por melhorias no cotidiano dos caminhoneiros e das transportadoras.

O papel dos caminhoneiros e das transportadoras não podem ser subestimados; eles são os verdadeiros heróis anônimos que mantêm a roda do agronegócio girando. Sem o seu esforço, a produção agrícola não chegaria às prateleiras dos supermercados e, consequentemente, às mesas dos consumidores. Portanto, reconhecer e valorizar esses profissionais é essencial para garantir a eficiência e a sustentabilidade do agronegócio brasileiro.

O setor de transportes é um pilar fundamental do agronegócio no Brasil, e a colaboração entre esses dois setores é crucial para o crescimento econômico e a prosperidade do país. Precisamos unir esforços para superar os desafios existentes e transformar as oportunidades em resultados concretos.

Ao valorizar o setor de transportes e os caminhoneiros, estamos investindo na base que sustenta o agronegócio e, por extensão, a economia brasileira. A iniciativa da GoFlux é um exemplo de como podemos trabalhar juntos para construir um futuro mais próspero e sustentável para o Brasil.

Renato Seraphim, CEO da Ciarama Máquinas Agrícolas John Deere, também discutiu os desafios da distribuição de insumos agrícolas diante do cenário de aumento das recuperações judiciais! Clique aqui e confira!

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