Preço da soja recua em outubro, após 5 meses consecutivos de alta

Ivan Formigoni
Farmnews

O preço da soja recuou em outubro, após encerrar setembro próximo da máxima do ano. Apesar da queda, o valor do grão acumula alta m 2026.

O preço da soja (Cepea, Paranaguá – PR), passou de R$161,6 por saca em setembro (30) para R$154,2 por saca em outubro (13).

A queda foi de R$7,4 por saca, equivalente a 4,6%.

Na comparação com o último preço de 2025, de R$141,0 por saca, o valor de outubro (13) ainda acumula alta de aproximadamente 9,3%.

Preço da soja perde força em outubro

A soja iniciou outubro cotada a R$160,9 por saca, em outubro (1), e recuou para R$159,9 no dia seguinte.

O movimento de baixa se intensificou ao longo da primeira quinzena, com o indicador alcançando R$154,2 por saca em outubro (13).

Na comparação com o final de setembro, a queda foi expressiva. Em outubro (13), o preço estava 4,6% abaixo do valor de R$161,6 observado em setembro (30).

Vale destacar que a soja chegou a ser negociada acima de R$162,0 por saca na segunda parte de setembro, renovando a máxima do ano.

Preço do grão continua acumulando alta em 2026

Apesar da queda em outubro, o preço da soja permanece acima do valor que encerrou 2025 (primeira Figura).

A cotação passou de aproximadamente R$141,0 por saca no final de 2025 para R$154,2 em outubro (13), alta de 9,3%, equivalente a um ganho nominal de R$13,2 por saca.

Isso mostra que a queda observada em outubro não eliminou a valorização acumulada ao longo de 2026.

A Figura ilustra a evolução diária do preço nominal da soja (Cepea, Paranaguá – PR), em Reais por saca, desde 2024.

preço da soja
Fonte: Dados do Cepea (elaborado por Farmnews)

Até o final de setembro, a soja ainda acumulava avanço relevante frente ao encerramento de 2025, enquanto o mercado brasileiro vinha sendo sustentado por exportações firmes e por prêmios de exportação mais favoráveis.

O fato é que na parcial de outubro (até o dia 13) o preço médio da soja (Cepea, Paranaguá – PR) caiu frente ao mês anterior, interrompendo uma sequência de 5 meses consecutivos de alta (segunda Figura).

A Figura apresenta os dados médios nominais do preço da soja (Cepea, Paranaguá – PR), entre janeiro de 2020 e a parcial de outubro de 2026 (até o dia 13), em Reais por saca.

preço da soja
Fonte: Dados do Cepea (elaborado por Farmnews)

Dólar mais fraco ampliou a pressão

Um dos principais fatores de pressão sobre o preço da soja em outubro foi o câmbio.

O dólar passou de R$5,2 em setembro (30) para R$5,0 em outubro (13), queda de aproximadamente 3,3%.

Como a soja brasileira tem seu preço formado a partir da combinação entre a cotação internacional, o prêmio de exportação e o dólar, a valorização do real reduz o valor convertido para a moeda brasileira.

Esse movimento foi importante porque ocorreu ao mesmo tempo em que a cotação internacional da soja também recuou. Em dólares, o preço da soja caiu de US$31,2 por saca em setembro (30) para US$30,7 em outubro (13), baixa de aproximadamente 1,7%.

Assim, a queda no mercado brasileiro refletiu a combinação de dólar mais fraco e menor referência internacional.

Exportações brasileiras continuam sendo um ponto de sustentação

Apesar da pressão em outubro, o mercado brasileiro contou com um importante fator de sustentação ao longo de 2026: o ritmo das exportações.

A exportação de soja do Brasil alcançou 7,4 milhões de toneladas em setembro de 2026, praticamente repetindo o volume observado no mesmo mês de 2025. No acumulado até setembro, os embarques superaram 100,0 milhões de toneladas pela primeira vez para o período do ano.

Esse desempenho indica que a demanda internacional pela soja brasileira permaneceu firme.

No entanto, exportações elevadas não impedem necessariamente uma queda no preço. O valor recebido pelo produtor também depende da cotação em Chicago, do dólar, dos prêmios de exportação e da disponibilidade global.

Em outras palavras, a demanda externa ajudou a sustentar o mercado, mas não foi suficiente para evitar a correção observada em outubro.

Compradores adotam postura mais seletiva

O comportamento dos agentes também mudou na primeira metade de outubro.

Com a queda dos contratos futuros, a entrada da safra norte-americana e o recuo do dólar, compradores passaram a operar de forma mais seletiva.

Tradings e indústrias reduziram a urgência de aquisição, enquanto produtores ajustaram o ritmo de comercialização. Esse tipo de comportamento pode limitar a liquidez e aumentar a pressão sobre os preços no curto prazo.

O produtor, por sua vez, pode optar por segurar parte da produção quando considera os preços pouco atrativos. Porém, essa retenção não é suficiente para provocar recuperação quando os compradores estão abastecidos ou quando a paridade de exportação recua.

Vale lembrar também que o preço futuro do milho caiu mais que o físico no início de outubro, sinalizando uma menor perspectiva de valorização especialmente para 2027.

E mudando de assunto, a importação de fertilizantes pelo Brasil voltou a cair em setembro e as compras na parcial de 2026 alcançou o menor patamar desde 2020.

O Brasil importou 3,10 milhões de toneladas de fertilizantes em setembro de 2026, valor 28,3% abaixo do que foi praticado em setembro de 2025.

A maior quantidade de compra em um mês de setembro aconteceu em 2024, quando o País importou 4,64 milhões de toneladas em matérias-primas (primeira Tabela).

A compra de fertilizantes pelo Brasil em 2026 foi o menor para um mês de setembro em uma série iniciada em 2018 e isso segue chamando a atenção!

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Zootecnista, fundador do Farmnews e interessado em fornecer informações úteis aos nossos leitores!