O consumo de carne bovina melhorou com o recebimento dos salários, mas sem ganhar força suficiente para aquecer a demanda, refletindo em pedidos moderados de reposição de estoques.
As vendas no varejo melhoraram com o recebimento dos salários, mas os pedidos de reposição de estoques estiveram moderados. Do lado da oferta, o volume de carne disponível foi menor, ainda refletindo o feriado da última quinta-feira (4/6), quando os frigoríficos reduziram os abates na semana. Dessa forma, o mercado operou em equilíbrio.
No atacado de carne com osso, o comportamento das cotações das carcaças casadas foi distinto. A cotação da carcaça casada do boi capão permaneceu estável, apregoada em R$24,00/kg. Já a do boi inteiro recuou 0,6%, negociada em R$23,00/kg. Para as fêmeas, as cotações avançaram. A carcaça casada da vaca teve alta de 1,4%, cotada em R$22,25/kg, enquanto a da novilha subiu 0,7%, comercializada em R$22,40/kg.
No atacado de carne sem osso, a média geral permaneceu estável. Em contrapartida, as médias dos cortes do traseiro e do dianteiro apresentaram comportamentos diferentes.
Nos cortes do traseiro, a média recuou 0,2%, influenciada pelas quedas de 1,3% da picanha B e da fraldinha. Entre os 16 cortes, sete registraram queda, sete apresentaram alta e dois permaneceram estáveis.
Já nos cortes do dianteiro, a média subiu 0,7%, com destaque para a paleta sem músculo, que valorizou 3,0%. Foram registrados três cortes em alta, dois em baixa e um sem alteração.
No varejo, o movimento também foi diferente entre os estados. Enquanto alguns continuaram intensificando promoções para estimular o giro após sucessivas altas, outros sustentaram as cotações.
Em São Paulo, a média recuou 1,7%, pressionada por 15 cortes em queda e cinco em alta. O peito foi o corte que mais variou, com valorização de 5,1%, seguido pela queda de 4,7% do lagarto.
No Paraná, a média caiu 0,1%, com 12 cortes em baixa, seis em alta e dois estáveis. O destaque foi a costela, que recuou 8,1%, seguida pelas altas de 5,1% da alcatra com maminha e de 4,5% do coxão duro.
Em Minas Gerais, a média subiu 0,3%, sustentada pela alta de 3,9% da fraldinha. No estado, oito cortes registraram alta, 10 apresentaram queda e dois permaneceram estáveis.
No Rio de Janeiro, a média teve ajuste positivo de 0,1%, sustentada pela valorização de 13 cortes, frente a sete quedas. A paleta foi o corte que mais variou, com recuo de 3,6%.
No curto prazo, a expectativa é de que o mercado siga sustentado. O clima de Copa do Mundo pode estimular o consumo de carne bovina, com a população mais animada para um churrasquinho em dias de jogo, mas sem força suficiente para aquecer significativamente a demanda.
Tabela 1. Preços médios dos cortes sem osso no mercado atacadista de São Paulo, em R$/kg.

Veja também que a exportação de carne bovina do Brasil iniciou junho de 2026 em patamares muito acima do praticado em junho de 2025, quando as vendas foram recorde para o período do ano.
A primeira parcial de junho de 2026, no acumulado da primeira semana do mês, o que incluiu 4 dias úteis, a média diária de embarque de carne bovina in natura do Brasil foi de 15,64 mil toneladas, valor 29,8% acima da média diária de junho de 2025, de 12,05 mil toneladas (considerando 20 dias úteis).
Tabela 2. Preços médios dos cortes no mercado varejista na semana*, em R$/kg.

E mudando de assunto, o Farmnews comparou os dados históricos do preço do boi gordo nos meses de junho, desde 2010. E em 2026, apesar das incertezas e de um mercado futuro mais pressionado, o preço do boi gordo em junho caminha para renovar a máxima nominal. Mas, o cenário poderia ser muito melhor para o pecuarista.
Por outro lado, o preço do bezerro, embora estável quando avaliado em Reais por cabeça, voltou a cair no valor por peso, resultado da venda de um animal, em média, mais pesado. O Farmnews apresentou os dados históricos do preço do bezerro, em Reais por arroba, desde 2010.
Com o preço da arroba do bezerro em queda e o preço do boi gordo em recuperação, o ágio do bezerro caiu na parcial de junho de 2026, inclusive alcançando menor valor mensal desde fevereiro.
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