O preço do boi gordo para julho segue pressionado, precificando o menor valor entre os contratos com vencimento em aberto na B3.
A expectativa de queda do preço do boi gordo para julho voltou a aumentar ao longo da primeira metade de junho, após um período de melhora na percepção de preço entre a segunda metade de abril e a primeira metade de maio (primeira Figura).
O preço futuro do boi gordo para julho precifica o menor valor esperado entre os contratos com vencimento em aberto na B3, abaixo de R$336,0 por arroba e R$13,0 por arroba abaixo do físico (Datagro).
A Figura apresenta a evolução diária diferença entre o preço esperado do boi gordo para vencimento em julho (B3, valor de ajuste), em relação ao preço no físico (Datagro), em Reais por arroba.

O preço do boi gordo para julho de 2026 segue cotado abaixo de R$340,0 por arroba desde junho (8) e precificando queda que oscila entre R$10,0 e R$20,0 por arroba em relação ao físico.
Vale lembrar que essa expectativa de queda já chegou a alcançar patamares em torno de R$30,0 por arroba na metade de abril (Figura acima). No entanto, o preço esperado para julho permanece descolado do físico, indicando um período de queda no curto prazo.
Aliás, com exceção de novembro e dezembro, todos os contratos com vencimento em aberto na B3 para 2026 mantém expectativa de queda frente ao físico em junho (clique aqui).
A pressão de queda entre os contratos mais próximos do vencimento, especialmente entre julho e setembro é resultado das incertezas relacionadas ao comportamento de preço do boi gordo assim que a cota de exportação de carne bovina para a China, sem tarifa adicional, for alcançada.
O fato é que o mercado futuro do boi gordo, na percepção do Farmnews, já precifica um cenário pessimista para julho e, patamares abaixo do atual, ou seja, menor que R$335,0 por arroba tem encontrado resistência entre os investidores na B3.
Claro, o mercado é volátil e os receios com relação a China são justificados, mas a B3 segue descolada do físico e o receio é que isso ajuda a influenciar a intenção de venda do pecuarista.
A Figura ilustra a evolução diária do preço nominal do boi gordo (Datagro) e do contrato para julho de 2026 (B3, valor de ajuste), em Reais por arroba

Embora pressionado, o preço do boi gordo para julho de 2026 deve confirmar novo recorde nominal para o período do ano (terceira Figura), o que não significa um cenário positivo para o pecuarista diante dos custos de produção em alta, especialmente da reposição do rebanho.
Na opinião do Farnmnews, a oferta de carne no mundo cada vez mais restrita e a demanda chinesa por carne bovina muito acima da capacidade de produção do país torna a decisão de cota uma escolha abre espaço para dúvidas sobre uma possível flexibilização do limite de cota imposto ao Brasil.
Embora a China enxergue a segurança alimentar como tema estratégico, a flexibilização do limite de cota era ou é algo possível, pelo menos do ponto de vista de demanda.
A carne bovina do Brasil tem sido cada vez mais demanda por outros países, como EUA, Chile, a UE (que a exemplo da China deve ser foco em breve, mas por questões de rastreabilidade), a própria Rússia que já foi, de longe, nosso principal cliente. Mas o crescimento é relativamente lento, pelo menos até o momento. No entanto, essa demanda por outros países pode sim aumentar caso o limite de cota da China não seja flexibilizado. O mundo precisa de carne bovina, isso é um fato e, merece atenção.
A Figura apresenta os dados do preço médio nominal do boi gordo (Cepea) nos meses de julho, entre 2010 e 2025 e a expectativa da B3 para 2026 em junho (16), em Reais por arroba.

E mudando de assunto, o Farmnews apresentou o comportamento de preço do boi gordo, bezerro, milho e a soja ao longo de 2026, até a primeira metade de junho, avaliado em Reais (clique aqui) como em dólares (clique aqui).
Com o preço da arroba do bezerro em queda e o preço do boi gordo em recuperação, o ágio do bezerro caiu na parcial de junho de 2026, inclusive alcançando menor valor mensal desde fevereiro.
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