Preço futuro do milho mais distante da máxima no início de outubro

Ivan Formigoni
Farmnews

O preço futuro do milho segue mais pressionado no início de outubro, acompanhando o movimento do físico.

O preço do milho (Cepea) foi cotado a R$68,5 por saca em outubro (2), no menor patamar desde o final de agosto (primeira Figura).

O preço do grão também voltou a acumular queda em 2026, frente ao valor que encerrou 2025, embora permaneça acima do valor praticado no mesmo período dos anos anteriores.

Lembrando que em outubro dos anos anteriores, ou seja, 2024 e 2025, o preço do milho mostrou recuperação.

A Figura ilustra a evolução diária do preço nominal do milho (Cepea), em Reais por saca, desde 2024.

preço do milho
Fonte: Dados do Cepea (elaborado por Farmnews)

O preço futuro do milho mantém a expectativa de alta, embora mais modesta, ao longo dos próximos meses (segunda Figura), com o vencimento de novembro acima de R$71,0 por saca.

Contudo, apesar dos dados da B3 precificar alta, a expectativa de valorização para o vencimento de novembro, por exemplo, já foi bem maior.

Vale lembrar que no início de setembro, o preço futuro do milho para novembro de 2026 precificava valores acima de R$78,0 por saca, patamar muito acima do esperado atualmente.

Na B3, o contrato de milho com vencimento em novembro de 2026 registrou queda no período disponível para comparação: o ajuste passou de R$74,44 por saca em 28 de setembro para R$71,67 em 2 de outubro, recuo de aproximadamente 3,7%.

As posições em aberto para o vencimento de novembro também diminuíram de 61.815 para 58.017 contratos. A queda foi de cerca de 6,1%, sinalizando menor exposição em aberto no vencimento. A queda dos futuros reforçou a pressão sobre as negociações no mercado físico e reduziu a disposição de compra no curto prazo.

A Figura apresenta os dados do preço do milho (Cepea) e dos contratos futuros em aberto na B3 (valor de ajuste), a partir de novembro de 2026, em Reais por saca, em outubro (2).

preço futuro do milho
Fonte: Dados da B3 e Cepea (elaborado por Farmnews)

O preço do milho recuou desde o fim de setembro principalmente pela combinação de maior disponibilidade da segunda safra, demanda mais cautelosa, ritmo menos intenso das exportações e pressão dos contratos futuros.

Na comparação entre 25 de setembro e 2 de outubro de 2026, o indicador Cepea/ESALQ caiu de R$69,65 para R$68,53 por saca, recuo de R$1,12, ou aproximadamente 1,6%. Em dólares, a queda foi de US$13,42 para US$13,14 por saca, enquanto o dólar subiu de R$ 5,19 para R$5,22. Isso indica que o câmbio mais firme não foi suficiente para compensar a pressão baixista sobre o milho.

Colheita da segunda safra aumenta a disponibilidade

A colheita do milho segunda safra 2025/26 continuou avançando nos principais polos produtores. Esse movimento aumenta a oferta disponível no mercado interno e reduz a necessidade de compradores disputarem lotes no curto prazo.

Entre 25 de setembro e 2 de outubro, a queda foi gradual: o indicador passou por R$69,48 em 28 de setembro, recuou para R$68,67 em 30 de setembro e encerrou o período em R$68,53. Esse comportamento é compatível com um mercado pressionado pela disponibilidade física.

A expectativa de produção elevada também limita movimentos de alta. Mesmo antes da entrada da nova safra, a perspectiva de oferta confortável influência as decisões de compra, venda e formação de estoques.

Exportações perderam ritmo

Outro fator importante foi a menor capacidade de escoamento via exportações. Quando os embarques não absorvem parcela suficiente da produção, mais milho permanece disponível no mercado interno, especialmente nas regiões próximas aos principais polos produtores.

Com exportações menos agressivas, o preço passa a depender mais da demanda das indústrias de ração, usinas de etanol e granjas. Caso esses compradores estejam abastecidos, tendem a postergar novas aquisições e pressionar as indicações de compra.

Compradores retraídos e produtor ajustando a comercialização

O mercado apresentou comportamento misto: produtores restringem vendas quando consideram os preços pouco atrativos, mas compradores também evitam recompor estoques de forma agressiva.

Essa combinação reduz a liquidez e pode provocar recuos mesmo sem uma venda generalizada por parte dos produtores. O mercado passa a operar com maior seletividade, enquanto os agentes aguardam melhores sinais de exportação, consumo interno ou recuperação dos contratos futuros.

E ao contrário do milho, mais pressionado, o mercado futuro do boi gordo renovou a máxima no início de outubro, com o preço esperado para os meses finais de 2026 cada vez mais próximo de R$400,0 por arroba.

O Farmnews também comparou os preços em dólares do boi gordo, bezerro, milho e soja até setembro de 2026. Clique aqui e confira os dados!

Saiba também que o preço do bezerro encerrou setembro de 2026 no maior patamar diário histórico quando avaliado em Reais por cabeça.

O preço do bezerro subiu 1,3% entre o final de setembro e o último preço praticado no mês anterior. A alta foi modesta, mas o preço foi histórico.

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Zootecnista, fundador do Farmnews e interessado em fornecer informações úteis aos nossos leitores!