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Custo de produção de bovinos confinados em março de 2026: impacto pela alta dos combustíveis!

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O custo de produção de bovinos confinados volta a subir em março de 2026, impulsionado pela alta nos combustíveis!

O Índice de Custo de Produção de Bovinos Confinados (ICBC) registrou alta nos custos em todas as propriedades representativas no mês de março, com avanço mais expressivo em São Paulo e movimento mais moderado em Goiás.

Em São Paulo, os custos apresentaram elevação próxima de +1%, enquanto em Goiás o aumento foi de +0,3%, indicando uma pressão mais contida sobre os sistemas produtivos naquele estado.

Gráfico 01. Variação dos índices de custos de bovinos confinados entre março de 2025 a março de 2026.

custo de produção de bovinos confinados

Após uma sequência de quedas — dois meses consecutivos em São Paulo e três em Goiás —, o custo da diária-boi (CDB) voltou a subir, refletindo principalmente a alta em componentes logísticos, como o frete, impactado pela elevação do preço do diesel, além da dinâmica dos insumos nutricionais, que seguem como principal componente da estrutura de custos.

O custo de produção de bovinos confinados subiu em março de 2026, impulsionado principalmente pela alta do frete e do combustível, além dos insumos relacionados a alimentação dos animais!

Gráfico 02. Comparativo dos custos da diária-boi (CDB) entre os meses de janeiro a março de 2026.

custo de produção de bovinos confinados

Mesmo com a retomada da pressão de custos, o custo da arroba produzida permaneceu entre R$261 e R$ 265 em São Paulo e R$227 em Goiás. No entanto, o ponto central do mês está na dinâmica relativa: os custos subiram em menor intensidade do que os preços de venda, criando um ambiente econômico mais favorável ao produtor.

Os preços do boi gordo acompanharam esse movimento. Em março, o valor médio captado foi de R$346,45/@ em São Paulo, com alta de 2%, e R$325,94/@ em Goiás, com avanço de 3,04% em relação ao mês anterior.

Esse descompasso positivo entre custo e receita ampliou o spread da atividade, que superou R$80/@ produzida em São Paulo e atingiu aproximadamente R$100/@ em Goiás, resultando em margens estimadas de 23% e 30%, respectivamente.

No mercado de reposição, o boi magro manteve trajetória de valorização, sendo negociado em R$397/@ em São Paulo (+2,77%) e R$378/@ em Goiás, ainda que com variação mais discreta no estado.

Leitura estratégica do cenário

O mês de março consolida um ambiente econômico positivo, especialmente em Goiás, onde a valorização do boi gordo superou com folga a elevação dos custos de produção e de reposição.

No entanto, a análise dos sistemas revela um ponto crítico: o resultado não é determinado apenas pelo cenário de mercado, mas pela eficiência interna de cada operação.

A comparação entre as propriedades representativas de São Paulo evidencia esse efeito. O confinamento de grande escala (CSPg), com maior diluição de custos fixos, opera com custo operacional de R$3,05/cab/dia, enquanto o confinamento médio (CSPm), com menor escala e operação mais concentrada, apresenta R$3,85/cab/dia.

Apesar disso, diferenças na eficiência nutricional reduzem parcialmente esse gap, resultando em um custo da arroba produzida de R$ 265,44 no sistema médio e R$261,35 no sistema grande.

À primeira vista, a diferença de R$4/@ produzida pode parecer marginal. No entanto, ao considerar um ciclo produtivo típico de 7 arrobas por animal, isso representa R$28 por cabeça. Em um lote de 150 animais, são R$4.200, e, ao longo de 20 lotes anuais, o impacto alcança R$84 mil.

Conclusão

Os dados da edição 106 reforçam uma tese central do ICBC: o resultado econômico na pecuária de corte não é definido apenas pelo preço de venda, mas pela capacidade de controlar, interpretar e antecipar o comportamento dos custos.

Em um cenário positivo como o atual, a margem existe — mas não é capturada de forma uniforme.

Ela depende de execução.

Depende de gestão.

Depende de detalhe.

É importante destacar também que embora o preço do boi gordo tenha renovado a máxima de modo consecutivo no início de abril, negócios muito acima de R$360,0 por arroba têm sido reportados e cada vez mais frequentes. Não é à toa que o mercado futuro do boi gordo para abril foi cotado acima de R$370,0 por arroba para abril.

E embora ainda seja cedo para avaliar o impacto e a dimensão real do caso de febre aftosa na Rússia e China, a expectativa é de que o limite de cota de exportação de carne bovina do Brasil para a China possa ser alterado. Vamos aguardar!

Acesse a Edição 106 completa do ICBC com gráficos e dados por sistema solicitando por e-mail: lae-indicadores@usp.br.

✍️ Esse trabalho é feito a partir de projeto de extensão conduzido pela equipe dos Indicadores de Custo de Produção de Bovinos Confinados (ICBC) da FMVZ USP. Tayná Ferreira, Bruna Veloso, Dr. Thiago Andrade, Dr. Gustavo Sartorello e Prof. Dr. Augusto Gameiro.

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