Por que produtores com a mesma produtividade estão tendo resultados opostos na safrinha?

Ivan Formigoni
Farmnews

Dados da Aegro Insights na safrinha mostram que, no mesmo estado, no mesmo ciclo, o custo de insumos variou 89% entre o mais enxuto e o mais caro!

A colheita da safrinha de milho 2026 avança em Mato Grosso.

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Na base do Aegro Insights, uma em cada quatro fazendas de milho do estado já registra as primeiras cargas colhidas. O custo de insumos fechou estável depois de dois anos de alta, e o milho ronda os R$45 por saca, fazendo com que a safra pareça estar em equilíbrio.

Para quem abre os dados por produtor, a história é outra: no mesmo estado, no mesmo ciclo, o custo de insumos varia 89% entre o mais enxuto e o mais caro. Com a colheitadeira passando no mesmo talhão, o resultado já estava definido antes do plantio.

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O custo parou de correr. O alívio, ainda não chegou.

Nos três estados da região central, a safrinha 2026 tomou caminhos distintos. Goiás recuou 11% no custo de insumos, de R$3.537/ha para R$3.139/ha, puxado pelo fertilizante, coerente com o recuo global de ureia, MAP e KCl ao longo de 2025. Mato Grosso do Sul ficou estável em R$2.482/ha. Mato Grosso também: R$2.980/ha, variação zero.

A mensagem honesta que os dados do Aegro Insights entregam para o produtor mato-grossense é que o custo parou de correr, não que o insumo barateou. São coisas diferentes, com implicações diferentes para o orçamento da próxima safra.

O fertilizante segurou. O defensivo não.

Abrindo o custo de MT por categoria, o que aparece é uma realocação, não uma queda. O fertilizante, maior item da conta (R$1.369/ha), estabilizou em +1% depois de subir 21% em 2025. Quem puxou os gastos foram os defensivos de proteção.

Fungicida saiu de R$167 para R$197/ha: alta de 18%. Herbicida foi de R$184 para R$211/ha: alta de 15%. Inseticida ficou estável em R$341/ha. Semente subiu 6%, para R$725/ha. O total de insumos ficou parado, mas a composição mudou por dentro.

Maior pressão de doença e planta daninha em 2026 forçou mais aplicações. O produtor de MT está bancando mais defensivo para defender o potencial produtivo. É um custo que protege receita, não um desperdício.

Com produtividade de 106,5 sc/ha*, o produtor do Bottom 10% de custo em MT precisa de R$57,1 por saca para zerar a conta, um preço acima do teto dos três cenários analisados. Com o milho a R$50,0 ele ainda perde R$758 por hectare.

R$ 2.199 de um lado, R$ 4.153 do outro: mesmo estado, mesma safra

O custo médio de R$2.980/ha em MT é um ponto de referência, não a história completa. No mesmo estado, mesmo ciclo, mesma cultura, o produtor do topo da distribuição coloca R$4.153/ha em insumos. O do fundo coloca R$2.199/ha. A diferença é de 89%, quase o dobro de capital, sem sair do mapa.

O padrão se repete nos vizinhos: Mato Grosso do Sul tem o maior spread, 107%, com extremos em R$1.626/ha e R$ 3.361/ha. Goiás registra 76%, com P10 em R$2.325/ha e P90 em R$4.088/ha.

A pergunta que os dados do Aegro Insights colocam é direta: esse capital adicional vira produtividade e lucro, ou apenas eleva o ponto de equilíbrio?

Produtividade igual para todos. O que muda é o resultado.

Para isolar o efeito do custo sobre a margem, o Aegro Insights fixou a produtividade preliminar de MT (106,5 sc/ha*) para todos os produtores e variou apenas o nível de custo de cada grupo.

A R$45/sc: o Top 10% mais enxuto (R$3.021/ha de custo) lucra R$1.772/ha. O produtor médio (R$4.258/ha) lucra R$535/ha. O Bottom 10% mais caro (R$6.083/ha) perde R$1.291/ha. O spread de margem entre os dois extremos chega a R$3.063/ha, sem nenhuma diferença de produtividade entre eles.

O break-even de cada grupo fecha o quadro: o Top 10% zera a conta a R$28,4/sc. O produtor médio empata a R$40,0/sc. O Bottom 10% precisa de R$57,1/sc, acima do teto dos três cenários. Não foi o clima nem o mercado que colocou esse produtor no vermelho: foi o custo montado no planejamento.

Quatro números para levar para a próxima safra

R$2.980/ha = Custo médio de insumos da safrinha MT 2026. Estável frente a 2025, mas com composição diferente: fertilizante parado, fungicida (+18%) e herbicida (+15%) em alta.

89% = Dispersão entre o produtor mais caro e o mais enxuto em MT. Em MS chega a 107%.

R$40,0/sc = Break-even do produtor médio de MT com produtividade preliminar de 106,5 sc/ha*. Abaixo desse preço, prejuízo.

106,5 sc/ha* = Produtividade preliminar de MT (48 lavouras colhidas, ~26% da amostra). Alinhada com 2024 (107,9 sc/ha). O número fecha conforme a colheita avança.

Com o milho em MT na faixa de R$40–50, o produtor médio opera com margem de zero a R$1.067/ha. Nessa janela, o custo por hectare é o único fator que o produtor ainda controla depois que a semente está no solo.

A diferença de R$3.063/ha entre Top e Bottom a R$45/sc é o tamanho exato do que estava em jogo na hora de montar o orçamento. Quem mediu sabe onde está. Quem não mediu descobre no fechamento, quando não dá mais para fazer nada a respeito.

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Dados: Aegro Insights — vendas de milho, mais de 50 mil notas fiscais de compra de diesel e fertilizantes (2025–2026) de fazendas que utilizam o Aegro para gestão operacional e financeira em MT, GO, MS e PR.

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Zootecnista, Fundador do Farmnews e interessado em fornecer informações úteis aos nossos leitores!