O preço futuro do boi gordo segue firme, mas com o valor esperado para maio cada vez mais descolado da expectativa de outubro.
Esse maior otimismo com o curto prazo tem aumentado a diferença entre o preço esperado do boi gordo para os vencimentos de maio e outubro de 2026 que, alcançou a maior diferença no início de abril, acima de R$8,0 por arroba.
Vale lembrar que o preço futuro do boi gordo para maio de 2026 renovou a máxima para o vencimento em abril (2), cotado a R$364,0 por arroba, enquanto o preço do boi gordo para outubro foi cotado a R$355,5 por arroba.
O preço futuro do boi gordo para outubro foi cotado a R$8,5 por arroba abaixo da expectativa de preço para maio, conforme dados da B3 de abril (3), a maior diferença ao longo da série iniciada em dezembro de 2025 (primeira Figura).
A Figura ilustra a evolução diária da diferença entre o preço esperado do boi gordo para maio frente a outubro de 2026, em Reais por arroba (B3, valor de ajuste).

O interessante é observar que até o início da segunda metade de março de 2026 o preço futuro o boi gordo para outubro era cotado acima do valor esperado para maio. Isso inverteu ao longo do final de março e ganhou força no início de abril.
E vale destacar que em 2026, até abril (2), frente ao valor que encerrou 2025, o preço esperado do boi gordo para maio de 2026 subiu 12,6%, enquanto no mesmo intervalo de tempo o preço para outubro subiu apenas 2,8%.
Entre o final de 2025 e abril (2) o preço da referência do mercado futuro do boi gordo no físico, o indicador Datagro, subiu 13,3%, renovando a máxima nominal, acima de R$360,0 por arroba.
A Figura ilustra a evolução diária da variação acumulada do preço futuro do boi gordo, para os contratos com vencimento em maio e outubro (B3, valor de ajuste), ao longo de 2026.

O fato é que os investidores seguem receosos em precificar alta mais expressiva ao longo da segunda metade de 2026, justamente porque no período o Brasil já terá alcançado o limite de cota, sem tarifa adicional, se exportação de carne bovina para a China. E isso é um fator que pode pressionar os preços do boi gordo, apesar do ciclo de alta e da maior procura pelo produto brasileiro por outros países, como EUA, Rússia, UE entre outros.
É importante observar que nos primeiros meses de 2026, até fevereiro, a exportação de carne bovina in natura do Brasil renovou a máxima histórica para o período do ano. Em outras palavras, o limite de cota estabelecido ao Brasil pode ser alcançado antes do que inicialmente previsto, pressionado os preços do boi gordo na segunda metade do ano, como temos observado.
De acordo com a decisão, em 2026, o Brasil poderá exportar para a China, sem a cobrança de tarifa adicional de 55,0%, 1,106 milhão de toneladas em carne bovina. Em 2027 e 2028 esse valor subiria um pouco, para 1,128 e 1,154 milhão de toneladas respectivamente, mas ainda muito longe do que o país asiático importou do Brasil em 2024 e 2025.
E, claro, com o caso de febre aftosa na China, aumenta a expectativa e especulação de uma possível flexibilização na cota de exportação de carne bovina estabelecida ao Brasil, ainda em 2026.
Essa é um dos principais questionamentos da recente divulgação, confirmando a ocorrência de casos de febre aftosa na China, pelo governo do país. Claro, ainda é cedo para avaliar o caso, mesmo porque não sabemos à proporção que o problema pode alcançar por lá. Mas, sim, existe uma chance de que, caso o problema escale e isso merece atenção.
E mudando de assunto, o Farmnews também comparou os dados do preço do bezerro e do boi gordo nos meses de março, entre 2018 e 2026, avaliados tanto em moeda americana como em moeda nacional!
O Farmnews disponibiliza, diariamente, seus estudos de forma gratuita pelo whatsapp. Clique aqui!




