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Nitrato de amônio: o quanto o Brasil é dependente da Rússia?

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A Rússia suspendeu, temporariamente, a exportação de nitrato de amônio, o que inclui o fornecimento para o Brasil.

O fato é que até abril (21), a Rússia deve manter suspensa as vendas de nitrato de amônio para o mercado internacional, o que inclui a interrupção do fornecimento para o Brasil no período que, ao todo, deve durar cerca de 30 dias.

Vale destacar que a Rússia é o principal fornecedor de fertilizantes para o Brasil. Considerando os 2 primeiros meses de cada ano, do total importado em matérias-primas pelo Brasil, quase 25,0%, em média, têm origem russa (primeira Figura).

Apesar da Rússia ser o maior exportador de fertilizantes para o Brasil, o destaque entre os maiores exportadores de fertilizantes para o Brasil na parcial de 2026, até fevereiro, foi o Canadá, com o maior crescimento nas vendas.

A Figura apresenta a participação da Rússia no fornecimento de fertilizantes para o Brasil, em volume de embarque, entre janeiro e fevereiro, de 2018 a 2026, segundo dados da COMEX.

Fonte: Dados da COMEX (elaborado por Farmnews)

A Rússia, entre 2018 e 2026, participou com 24,3% do total de compra de fertilizante pelo Brasil, em média. Em 2026 esse valor tem diminuído, justamente porque o Brasil tem buscado, gradativamente, diminuir a dependência das matérias-primas de origem russa. O Canadá, como destacado acima, tem aumentado as vendas para o Brasil!

No entanto, quando o assunto se refere a nitrato de amônio, a dependência do Brasil do produto de origem russa é muito grande. Praticamente todo o nitrato de amônio importado pelo Brasil, até 2025, foi da Rússia, como mostram os dados da segunda Figura.

A Figura apresenta dados da importação de nitrato de amônio pelo Brasil, total e de origem russa, em mil toneladas, entre janeiro e fevereiro, de 2018 a 2026, segundo dados da COMEX.

nitrato de amônio
Fonte: Dados da COMEX (elaborado por Farmnews)

É importante observar, no entanto, que apesar da forte dependência do Brasil do nitrato de amônio russo, em 2026, pelo menos nos primeiros meses do ano, o ritmo de compra diminuiu. Nos anos anteriores, praticamente toda matéria-prima importada era de origem russa e em 2026 esse valor caiu para pouco menos de 70,0%.

Nos meses de janeiro a fevereiro de 2025, toda a importação de nitrato de amônio do Brasil, ou seja, 67,6 mil toneladas, foi de origem russa. Em 2026, das 86,0 mil toneladas importadas até fevereiro, 55,0 mil toneladas vieram da Rússia.

O nitrato de amônio é fonte de nitrogênio e menos volátil que a ureia. E desde o início do conflito no Oriente Médio, o preço dos fertilizantes tem apresentado forte alta, especialmente os nitrogenados.

O preço esperado da ureia para abril, por exemplo, segue cotado em patamares próximos de US$700,0 por tonelada no final de março, valor mais de 60,0% acima do valor praticado do preço de fevereiro, e torno de US$400,0 por tonelada.

A importação de fertilizantes pelo Brasil nos 2 primeiros meses de 2026, ou seja, de janeiro a fevereiro, somou 5,26 milhões de toneladas, valor pouco abaixo do observado no acumulado até fevereiro de 2025 (5,30 milhões de toneladas).

Isso mostra que o conflito no Oriente Médio agravou o risco de falta de matérias-primas, uma vez que as compras já vinham mostrando queda, especialmente da ureia. importação de ureia pelo Brasil somou 790,7 mil toneladas entre janeiro e fevereiro de 2026, o menor valor para o período do ano em uma série iniciada em 2018 e 31,1% menor que a compra realizada no mesmo período de 2025 (1,14 milhão de toneladas).

O preço médio de importação (FOB) de matérias-primas pelo Brasil na parcial de março de 2026, até a 3ª semana, foi de, em média US$382,1 por tonelada, valor 22,8% acima da média nominal praticada em março de 2025, de US$311,2 por tonelada. O preço parcial de março de 2026 também mostra forte alta frente a média do mês anterior (US$344,4 por tonelada) e deve alcançar o maior patamar desde maio de 2023.

O Farmnews também apresentou a evolução do preço do cloreto de potássio, da ureia e MAP importado pelo Brasil entre fevereiro de 2025 e fevereiro de 2026, com destaque a maior alta no preço do cloreto de potássio ao longo dos últimos 12 meses!

O Farmnews disponibiliza, diariamente, seus estudos de forma gratuita pelo whatsapp. Clique aqui!

 

 


Ivan Formigoni
Ivan Formigonihttps://www.farmnews.com.br
Zootecnista, Fundador do Farmnews e interessado em fornecer informações úteis aos nossos leitores!

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