O preço do boi gordo iniciou a segunda metade de junho mais pressionado, após uma primeira metade do mês em recuperação.
O preço do boi gordo (Cepea) voltou a ficar abaixo de R$350,0 por arroba, acumulando leve queda em relação ao valor que encerrou maio. Vale lembrar que na primeira metade do mês o boi gordo foi o único que apresentou alta entre as commodities agrícolas acompanhadas pelo Farmnews, que inclui o bezerro, milho e a soja (clique aqui).
Apesar de pressionado no início da segunda metade de junho, o preço do boi gordo permanece acima dos valores praticados no mesmo período dos anos anteriores (primeira Figura) e sobe 9,3% frente ao valor que encerrou 2025.
O fato é que os compradores se mantêm mais cautelosos em repor estoques devido as incertezas relacionadas a exportação de carne bovina assim que o limite de cota de venda para a China for alcançado. E isso reflete na menor intenção de compra e a oferta de preços mais baixos no valor da arroba. É um período de indefinição!
O consumo de carne bovina no varejo na primeira metade de junho já não foi das melhores e isso aumenta o receio de aumento dos estoques e favorece o momento de maior cautela do lado comprador.
A Figura ilustra a evolução diária do preço nominal do boi gordo (Cepea), em Reais por arroba, desde 2024.

O preço do boi gordo (Cepea) na parcial de junho, até o dia 17, foi de, em média, R$352,3 por arroba, valor pouco acima da média do mês anterior e no maior patamar para o período do ano, em valores nominais (segunda Figura).
Aliás, o Farmnews apresentou os dados do preço médio nominal do boi gordo nos meses de junho desde 2010 (clique aqui), reforçando que embora o preço caminhe para renovar a máxima nominal para o período do ano, o cenário de custos não é favorável ao pecuarista, especialmente quando o assunto envolve a reposição do rebanho no mercado.
A Figura apresenta os dados médios do preço nominal do boi gordo (Cepea), em Reais por arroba, entre janeiro de 2020 e a parcial de junho de 2026 (até o dia 17).

É importante destacar que desde fevereiro de 2026 o preço do boi gordo tem renovado a máxima nominal para o período do ano (terceira Figura) e essa tendência deve permanecer ao longo do ano, com os valores renovando a máxima, embora com perspectiva de preço abaixo da esperada.
O potencial de valorização da arroba é maior que o sinalizado pelo mercado futuro (clique aqui), mas as incertezas de curto prazo, especialmente relacionadas a China limitam esse movimento mais otimista, pelo menos por enquanto!
A Figura apresenta o comportamento do preço nominal do boi gordo (Cepea), em cada ano, entre 2020 e a parcial de 2026, até junho, em Reais por arroba.

O preço futuro do boi gordo para julho precifica o menor valor esperado entre os contratos com vencimento em aberto na B3, abaixo de R$336,0 por arroba e R$13,0 por arroba abaixo do físico (Datagro).
A pressão de queda entre os contratos mais próximos do vencimento, especialmente entre julho e setembroé resultado das incertezas relacionadas ao comportamento de preço do boi gordo assim que a cota de exportação de carne bovina para a China, sem tarifa adicional, for alcançada.
O viés de queda para o preço futuro do boi gordo para o curto prazo vem predominando desde a segunda parte de abril. Isso mostra que, no curto, as incertezas relacionadas a China têm determinado o comportamento de preço na B3.
E como temos comentado no Farmnews, a geopolítica tem sido cada vez mais protagonista e adicionando volatilidade e incertezas ao mercado pecuário, à parte dos fundamentos. Os fundamentos são sólidos e altistas, mas o curto prazo pode sim apresentar movimentos de queda. Estamos cada vez mais acostumados a isso, o que requer atenção e ação, para proteção.
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