spot_img

Top 5 desta semana

Artigos relacionados

Preço futuro da soja mostra recuperação no final de março

- Advertisement -

O preço futuro da soja voltou a mostrar reação no final de março, após ser mais pressionado, para baixo, no início da segunda metade do mês.

No início da segunda metade de março, o preço futuro da soja precificava um cenário de preços relativamente estáveis em relação ao valor do grão no físico, ou seja, mantendo uma perspectiva de pouca variação no valor esperado da soja, especialmente para os vencimentos mais distantes.

No entanto, no final da segunda metade de março, a perspectiva do preço futuro da soja melhorou, ainda que discretamente, precificando alta para todos os contratos com vencimento em aberto e de maior liquidez, especialmente para aqueles com vencimento mais próximo, até agosto de 2026 (primeira Figura).

A Figura apresenta os dados do preço da soja no físico (Cepea, Paranaguá-PR) e futuro (B3-CME) para os vencimentos de 2026 e a primeira metade de 2027, em dólares por saca, em março (25).

preço futuro da soja
Fonte: Dados da B3-CME e Cepea (elaborado por Farmnews)

O preço futuro da soja voltou a ficar acima de US$26,0 por saca para os vencimentos entre julho e agosto de 2026 em março (25), ao contrário dos vencimentos a partir de setembro que oscilam em torno de US$25,5 por saca.

No mercado físico, o preço da soja (Cepea, Paranaguá-PR) se mantém mais estável (segunda Figura), embora acima dos patamares observados no mesmo período de 2025.

É importante destacar também que a exportação de soja do Brasil voltou a cair no acumulado até a 3ª semana de março de 2026, aumentando a diferença do que foi embarcado em março de 2025.

Vale lembrar que a exportação de soja do Brasil na parcial até a 2ª semana de março de 2026 já havia caído frente a março de 2025. Isso porque a média diária de embarque de soja nos primeiros 10 dias de março de 2026 de 650,73 mil toneladas ficou 15,6% abaixo da média de embarque observada em março de 2025 (771,46 mil toneladas).

E no acumulado até a 3ª semana de março, os embarques de soja voltaram a cair, com média diária de embarque de 633,43 mil toneladas nos primeiros 15 dias úteis do mês, valor 17,9% abaixo do que foi observado em março de 2025.

A Figura ilustra a evolução diária do preço nominal da soja (Cepea, Paranaguá-PR), em dólares por saca, desde 2024.

Fonte: Dados do Cepea (elaborado por Farmnews)

Nesse contexto é importante lembrar que a China devolveu cerca de 20 navios brasileiros que transportavam soja brasileira misturada a sementes de ervas daninhas proibidas pela legislação fitossanitária chinesa. Inclusive, diante desse maior rigor dos importadores com relação às questões fitossanitárias do Brasil, a Cargill suspendeu das exportações do grão do Brasil com destino a China pela Cargill. A questão com a China parece ter sido amenizada, não adotando o critério de tolerância zero para a presença de ervas daninhas no produto exportado do Brasil.

No entanto, esse é um assunto importante e a pausa da Cargill nos embarques do Brasil para a China vai muito além de um entrave fitossanitário. O episódio revela como qualidade, armazenagem, logística, burocracia e baixa agregação de valor passaram a pesar no centro da competitividade brasileira. Isso merece atenção!

E mudando de assunto, a importação de fertilizantes pelo Brasil acumulou queda na parcial de março de 2026, até a 3ª semana do mês, frente a março de 2025, enquanto o preço médio de compra (FOB) subiu quase 25,0%.

A média diária de compra de fertilizantes na parcial de março de 2026, até os 15 primeiros dias úteis do mês, foi de 118,07 mil toneladas, valor 13,9% abaixo do que foi observado em março de 2025, quando a média diária de importação, pelo Brasil, foi de 137,21 mil toneladas.

O Farmnews tem apresentado a evolução dos preços esperados da matéria-prima de um modo mais frequente desde o início do conflito no Oriente Médio. A escalada militar iniciada no final de fevereiro entre Israel / Estados Unidos e Irã recoloca o agro diante de um tipo de risco que não nasce na lavoura, mas chega nela rápido: energia e logística. É o risco geopolítico!

Mas o importante é lembrar que a importação de fertilizantes pelo Brasil, embora tenha caído em março de 206 como consequência do conflito no Oriente Médio, o ritmo de compra já vinha apresentando queda mesmo antes do início da guerra.

A importação de fertilizantes pelo Brasil nos 2 primeiros meses de 2026, ou seja, de janeiro a fevereiro, somou 5,26 milhões de toneladas, valor pouco abaixo do observado no acumulado até fevereiro de 2025 (5,30 milhões de toneladas).

Isso mostra que o conflito no Oriente Médio agravou o risco de falta de matérias-primas, uma vez que as compras já vinham mostrando queda, especialmente da ureia. importação de ureia pelo Brasil somou 790,7 mil toneladas entre janeiro e fevereiro de 2026, o menor valor para o período do ano em uma série iniciada em 2018 e 31,1% menor que a compra realizada no mesmo período de 2025 (1,14 milhão de toneladas).

O Farmnews disponibiliza, diariamente, seus estudos de forma gratuita pelo whatsapp. Clique aqui!


Ivan Formigoni
Ivan Formigonihttps://www.farmnews.com.br
Zootecnista, Fundador do Farmnews e interessado em fornecer informações úteis aos nossos leitores!

Artigos populares