O preço futuro da ureia apresentou forte alta no início de março, como resultado da escalada do conflito no Oriente Médio e o comprometimento logístico no estreito de Ormuz.
Como o Farmnews já havia destacado (clique aqui), a escalada militar iniciada no final de fevereiro entre Israel / Estados Unidos e Irã recoloca o agro diante de um tipo de risco que não nasce na lavoura, mas chega nela rápido: energia e logística.
Quando gargalos marítimos como o Estreito de Ormuz, Bab el-Mandeb, o Mar Vermelho e o Canal de Suez entram no centro do conflito, o impacto se espalha pela cadeia inteira. Primeiro vêm petróleo e diesel, depois fertilizantes e químicos, em seguida fretes e seguros, e por fim, câmbio, crédito, margem e decisões de plantio e comercialização.
O fato é que os fertilizantes nitrogenados são muito sensíveis ao custo de energia. Mesmo quando a origem do fertilizante não é diretamente a região do conflito, a formação de preço é global. Além do preço, o risco é prazo: atrasos e gargalos logísticos aparecem em momentos críticos do calendário agrícola.
Aliás, o Farmnews destacou que o Irã embora seja o maior importador de milho do Brasil não é um relevante exportador de fertilizantes para o País (clique aqui). No entanto, o conflito resulta tanto na alta do preço do petróleo como do aumento do risco logístico, como destacado acima.
E o resultado do aumento da insegurança, dos riscos logísticos e da alta no preço do petróleo, o preço futuro da ureia disparou no início de março!
Vale lembrar que o preço médio (FOB) de importação da ureia pelo Brasil (primeira Figura) segue abaixo de US$400,0 por tonelada e desde o final de 2022 o preço médio de compra não ultrapassa os US$500,0 por tonelada.
A Figura apresenta os dados mensais médios da importação de ureia pelo Brasil, em dólares por tonelada (FOB), segundo dados da COMEX, entre janeiro de 2020 e fevereiro de 2026.

Pois é, mas com o acirramento do conflito no Oriente Médio o preço futuro da ureia disparou no início de março, cotado acima de US$530,0 por tonelada para março de 2026 (segunda Figura).
É importante observar também que o mercado futuro da ureia também precifica uma gradativa queda no preço futuro da matéria-prima a partir de abril, também na expectativa de as questões geopolíticas se normalizem na região ao longo do tempo.
A Figura ilustra a evolução mensal do preço médio (FOB) de importação da ureia pelo Brasil entre janeiro de 2025 e a expectativa futura até agosto de 2026 (CBOT), em dólares por tonelada, em março (2).

Saiba também que a importação de fertilizantes em janeiro de 2026 somou 2,87 milhões de toneladas, valor 4,4% abaixo recorde anterior para o período do ano, de 2025 (3,01 milhões de toneladas). Apesar da queda o ritmo de importação em 2026 segue próximo da máxima para o período do ano.
O preço de importação de fertilizantes em janeiro de 2026 subiu 5,2% quando comparado a janeiro de 2025, cotado, em média, a US$325,5 por toneladas (FOB). Clique aqui e saiba mais!
Aliás o Farmnews tem cada vez mais destacado para o aumento do risco geopolítico e as consequências para o agronegócio nacional. O risco geopolítico entra na conta do dia a dia, pelo frete, seguro, rotas, prazos, meios de pagamento e até disponibilidade de insumos e de navios ficam mais sensíveis e os custos oscilam mais rápido. Clique aqui!
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