O mercado futuro do boi gordo mostrou forte queda após uma sequência de alta e recordes no preço esperado do boi gordo, especialmente para os contratos mais próximos do vencimento.
No mercado físico, o mês de abril acumula altas sucessivas e novas máximas nominais e, mesmo assim, o mercado futuro do boi gordo apresentou forte perda entre os dias 7 e 8, inclusive precificando um movimento de queda, frente ao físico, para todos os contratos em aberto na B3, de abril a dezembro.
É importante destacar que embora o mercado futuro do boi gordo tenha uma referência no físico e que ambos (físico e futuro) muitas vezes apresentem um comportamento de preço semelhante ou próximo, é normal que descolamentos aconteçam. Esses descolamentos ou assimetrias são o que geram oportunidades de negócio aos investidores.
É comum que os investidores especulem e tragam uma maior volatilidade aos contratos, especialmente após sucessivas altas ou mesmo baixas. São movimentos especulativos comuns ao mercado futuro do boi gordo e por isso é sempre importante a atenção à gestão de risco na B3.
No mercado físico, os fundamentos como temos destacado no Farmnews, são de um mercado firme, embora o próprio mercado futuro do boi gordo precificava uma queda gradativa queda para os vencimentos a partir de maio e uma segunda metade de 2026 com preços abaixo do praticado no 1° semestre do ano. Os investidores seguiam cautelosos em precificar valores mais altos para a arroba ao longo da segunda metade de 2026.
Mas o que chamou a atenção foi a intensidade da queda na expectativa de preço da arroba do boi gordo, em poucos dias. O preço esperado do boi gordo para os contratos mais próximo do vencimento despencou cerca de R$10,0 por arroba em apenas 2 pregões, entre os dias 7 e 8 de abril. Com isso, a diferença entre o preço esperado para maio de 2026, por exemplo, frente a referência no físico, desabou de quase R$6,0 por arroba de alta no final de março para cerca de R$8,0 de queda em abril (8), como mostram ilustram os dados da primeira Figura.
A Figura ilustra a evolução diária da diferença entre o preço esperado do boi gordo para maio de 2026 frente ao físico, em Reais por arroba, desde outubro de 2025.

Em 2026 o mercado futuro do boi gordo voltou a ficar mais volátil e isso é um ponto de atenção principalmente para o pecuarista, pois o investidor está mais acostumado a isso. E o produtor que não participa da B3 muitas vezes pode se assustar e se confundir com movimentos especulativos mais fortes.
A volatilidade é algo cada vez mais presente no dia a dia do pecuarista, especialmente com as questões geopolíticas, com conflitos, barreiras comerciais, imposições sanitárias e tarifárias, câmbio, juro etc. São muitas variáveis oscilando mais intensamente, como nunca antes. E isso merece cuidado, mas também reforça a questão dos fundamentos. E aqui no Farmnews o foco é avaliar os fundamentos do mercado pecuário.
Mas voltando a volatilidade, a primeira Tabela ilustra bem como em poucos dias o cenário pode mudar muito rapidamente e confundir o pecuarista. Veja que no final de agosto, o contrato para agosto de 2026 precificava uma queda de R$7,0 por arroba frente ao físico (Datagro). Em abril (8) esse deságio subiu para mais de R$21,0 por arroba.
Em outras palavras, em uma semana, entre o final de março e a parcial de abril (8), o deságio disparou para os contratos que já precificavam queda frente ao físico, ou seja, aqueles que vencem a partir de junho. E aqueles que precificavam alta (abril e maio), passaram a indicam uma tendência de queda em relação ao valor atual da arroba.
A Tabela apresenta os dados da diferença entre o preço esperado do boi gordo (B3, valor de ajuste) para os vencimentos entre abril e novembro de 2026, frente a referência no físico (Datagro), em Reais por arroba.

E como temos destacado no Farmnews, a oferta tende a diminuir em 2026 e a exportação permanecer firme, apesar dos receios com relação a China. Isso tende a manter os preços do boi gordo em alta, isso sem contar na demanda interna que pode surpreender em ano de Copa do Mundo e Eleição.
E por falar em venda de carne bovina para o mercado internacional, a exportação de carne bovina do Brasil foi recorde para um mês de março, em 2026, com destaque ao preço que alcançou o maior valor mensal desde outubro de 2022 e o maior patamar para um mês de março desde 2022.
A exportação de carne bovina do Brasil em março de 2026 somou 233,95 mil toneladas métricas, valor 8,6% acima do observado em março de 2025 (215,43 mil toneladas). Já a venda de carne bovina in natura do Brasil nos primeiros 3 meses de 2026 somou 701,64 mil toneladas métricas, valor 19,7% acima do observado no 1° trimestre de 2025 (586m36 mil toneladas).
E a venda de carne do Brasil para a China também foi recorde, mas não para um mês de março. O recorde aconteceu no acumulado dos 3 primeiros meses do ano. Isso porque considerando apenas os meses de março, o valor de 2026 ficou atrás do praticado no mesmo período de 2022.
A importação de carne bovina do Brasil pela China, em março de 2026, somou 101,99 mil toneladas métricas, valor 6,3% acima do observado em março de 2025, mas pouco abaixo do recorde anterior para o período do ano, de 2022 (103,53 mil toneladas).
A exportação de carne bovina do Brasil para a China somou 325,42 mil toneladas métricas no 1° trimestre de 2026, valor 16,3% acima do praticado no mesmo período de 2025 (279,71 mil toneladas) e novo recorde para o período do ano.
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