O Agro é “POP”, mas o talento está de partida: A crise invisível que nos ameaça!
Eu sempre defendo que o agronegócio é o motor que carrega o Brasil nas costas, e um dos únicos setores da economia onde somos protagonistas.
Em 2025, atingimos a marca histórica de 28,2 milhões de empregos no setor. Para que o leitor tenha dimensão da magnitude, isso representa cerca de 27% de toda a força de trabalho do país. Quase um terço dos brasileiros trabalha para que o mundo se alimente. Mas os números, por mais brilhantes que sejam, escondem uma ferrugem silenciosa que está corroendo a nossa base: a fuga de cérebros.
Dados recentes da Macfor revelam uma realidade amarga: mais da metade dos talentos altamente qualificados do agro quer deixar o país.
No Brasil, formamos cerca de 20 mil novos agrônomos por ano, mas o êxodo é alarmante. E o sangramento não para na agronomia; estamos perdendo jovens brilhantes da Zootecnia, Medicina Veterinária e todas as áreas correlacionadas às ciências agrárias. Estimativas indicam que milhares de profissionais deixam o país anualmente.
Não estamos falando apenas de mão de obra no agro; estamos falando da perda da inteligência, da inovação e da própria sucessão no campo.
O espelho quebrado: Por que nossos filhos querem ir embora?
Como pai de duas filhas, essa estatística me acerta precisamente. O jovem brasileiro hoje olha para o lado e não vê exemplos. Ele cresce em um ambiente onde o esforço é frequentemente punido e a malandragem é, muitas vezes, institucionalizada. Quando a tecnologia coloca o mundo na palma da mão desse jovem, ele percebe que o seu talento vale muito mais em dólares, euros ou dólares australianos, onde há segurança jurídica e estabilidade.
A tecnologia, que deveria ser nossa aliada para fixar o homem no campo, virou a vitrine para a saída. O jovem vê oportunidades na Austrália, no Canadá ou em Portugal e faz uma conta simples. Mas o movimento mais preocupante é o de empreendedores e agricultores. Muitos estão olhando para vizinhos como Paraguai e Bolívia, enxergando lá uma maior segurança institucional, menos burocracia e oportunidades de expansão que o Brasil parece querer sufocar. Por que investir a vida e o capital em um país que parece patinar no próprio destino?
O risco invisível do sucateamento institucional
A situação é agravada pelo cenário educacional. Assistimos ao preocupante sucateamento da Embrapa e das universidades agrárias públicas, instituições que foram os pilares da nossa Revolução Verde. Sem investimento em pesquisa de base e infraestrutura acadêmica, empurramos nossos talentos diretamente para os braços de centros de pesquisa estrangeiros.
Além disso, temos um “apagão” de profissionais técnicos. Temos máquinas que parecem naves espaciais, mas faltam operadores capacitados para extrair o potencial dessas tecnologias. É aqui que entra o papel vital de ecossistemas de ensino como Cumbre, Agroadvance, Terras Gerais e Elevagro. Essas iniciativas não são apenas complementares; elas são a tábua de salvação que está requalificando o profissional de mercado, trazendo a prática e a agilidade que o ensino tradicional deixa escapar. Sem essas edutechs, o gap entre a tecnologia disponível e a nossa capacidade de execução seria um abismo intransponível.
As algemas da passividade e a “Dopamina” dos auxílios
O que mais me dói não é apenas a partida dos talentos, mas a passividade de quem fica. Vivemos um momento de torpor coletivo. Escândalos de corrupção tornaram-se o ruído de fundo do nosso café da manhã — ouvimos, nos indignamos por cinco minutos nas redes sociais e voltamos à letargia.
Precisamos falar abertamente sobre o papel dos programas sociais. Embora essenciais para o combate à fome extrema, muitos desses programas se transformaram em algemas invisíveis. Em muitas regiões produtoras, já não se encontra gente para trabalhar porque o auxílio, somado à falta de perspectiva de crescimento, gera uma zona de conforto perigosa. Estamos criando uma geração que prefere a segurança de uma migalha estatal à aventura de empreender ou se qualificar.
“Um povo que se acostuma com o assistencialismo e se cala perante a corrupção está assinando a carta de despejo dos seus próprios filhos.”
O alerta: Sem gente, o Agro é apenas terra
O investidor e o empreendedor de alto nível já perceberam isso. Eles estão migrando para outros setores ou outras geografias porque o “Custo Brasil” agora inclui um imposto impagável: a falta de capital humano qualificado.
Se não mudarmos a rota, o agro continuará batendo recordes de produtividade, mas será um gigante com pés de barro. Perder um especialista para o exterior não é apenas perder um diploma; é perder décadas de investimento em educação e o potencial de inovação que esse indivíduo traria para o nosso solo.
Precisamos acordar desse sono profundo. Não podemos aceitar que o Brasil seja apenas um exportador de commodities e de talentos. Precisamos ser um país que retém sua inteligência, que pune seus corruptos com rigor e que incentiva o mérito acima do auxílio.
Aos pais e líderes: o exemplo começa em casa e na gestão das nossas empresas. Ou voltamos a ser um país de oportunidades e valores claros, ou continuaremos assistindo, do portão de embarque, o futuro do Brasil indo embora.
E mudando de assunto, o varejo agrícola no Brasil saiu do modelo de revendas familiares para um cenário de gigantes corporativos e fundos de investimento. Contudo, o momento atual de ajuste severo nos traz uma lição valiosa. Clique aqui e saiba mais!
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