Em um setor estruturalmente exposto a riscos climáticos, sanitários, operacionais e financeiros, falar de sustentabilidade sem falar de gestão de risco no agronegócio é uma abordagem incompleta!
O debate sobre ESG (sigla em inglês que significa, na nossa língua, meio-ambiente, social e governança) ganhou espaço definitivo no agronegócio brasileiro.
Isso porque questões ambientais, sociais e de governança passaram a influenciar decisões de mercado, acesso a capital e posicionamento competitivo das empresas e das cadeias produtivas. Nesse contexto, um tema ainda é pouco explorado de forma prática: o papel do seguro como ferramenta de ESG e de resiliência no agro.
O fato é que, em um setor estruturalmente exposto a riscos climáticos, sanitários, operacionais e financeiros, falar de sustentabilidade sem falar de gestão de risco no agronegócio é uma abordagem incompleta.
Sustentar a atividade agropecuária ao longo do tempo exige capacidade de absorver choques, reduzir volatilidade e preservar a continuidade dos negócios, e é exatamente nesse ponto que o seguro assume papel estratégico.
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Seguro como ferramenta de gestão de risco no agronegócio
O seguro é, antes de tudo, uma ferramenta de gestão de risco. Seu papel não é evitar a ocorrência de eventos adversos, mas mitigar seus impactos financeiros quando eles acontecem. Ao transferir parte do risco para o mercado segurador, produtores e empresas conseguem proteger patrimônio, fluxo de caixa e capacidade operacional.
No agronegócio, essa função ganha relevância especial. Eventos climáticos extremos, doenças, acidentes, incêndios e falhas operacionais podem gerar perdas expressivas e simultâneas, afetando não apenas o produtor individual, mas também cooperativas, indústrias, revendas, integradoras e demais elos da cadeia agroindustrial.
Seguro e o “G” do ESG: governança e previsibilidade
Do ponto de vista do ESG, o seguro se conecta diretamente ao pilar da governança. Ao contratar seguros de forma estruturada, produtores e empresas são obrigados a mapear riscos, organizar informações, adotar controles e refletir sobre seus processos. Esse exercício fortalece a tomada de decisão, aumenta a previsibilidade financeira e reduz a probabilidade de rupturas abruptas, elementos centrais para a governança das cadeias agroindustriais.
Impactos ambientais e sociais: resiliência além da porteira
Embora frequentemente associado apenas à governança, o seguro também dialoga de forma indireta, porém relevante, com os pilares ambiental e social do ESG. Relatórios da FAO e do Banco Mundial indicam que, sem mecanismos de proteção financeira, produtores tendem a priorizar decisões de curto prazo após grandes perdas, o que pode comprometer investimentos ambientais, práticas sustentáveis e a estabilidade das relações de trabalho.
Ao permitir a recomposição de fluxo de caixa após eventos adversos, o seguro reduz a pressão por decisões emergenciais que podem gerar impactos ambientais e sociais negativos. Dessa forma, atua como um amortecedor que sustenta práticas responsáveis ao longo do tempo.
O caso do Rio Grande do Sul e a resiliência das cadeias
Eventos recentes no Brasil reforçam esse papel na prática. As enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024 evidenciaram o caráter sistêmico do risco climático no agronegócio. Segundo dados do mercado segurador, o evento resultou em mais de R$1,6 bilhão em pedidos de indenização, envolvendo diferentes ramos de seguro, inclusive atividades diretamente ligadas ao agro.
No próprio setor, lideranças do agro destacaram que o seguro foi decisivo para evitar rupturas mais profundas. Segundo avaliação de dirigentes de cooperativas da região, as indenizações permitiram que produtores mantivessem compromissos, honrassem contratos e seguissem operando mesmo diante de perdas severas causadas pelas enchentes.
Seguro como infraestrutura de resiliência
Cadeias agroindustriais resilientes não são aquelas livres de riscos, mas aquelas capazes de reconhecê-los, mensurá-los e estruturá-los de forma consciente e coletiva. Quando utilizado de forma integrada por produtores, cooperativas, empresas e demais elos, o seguro contribui para reduzir o risco sistêmico da cadeia e sustentar relações de longo prazo.
No agro contemporâneo, ESG não deve ser tratado apenas como exigência regulatória ou demanda de mercado. Ele precisa ser incorporado como estratégia de continuidade e viabilidade econômica. À luz da literatura da FAO, do Banco Mundial e de experiências recentes no Brasil, o seguro deixa de ser visto como custo e passa a ser compreendido como infraestrutura de resiliência econômica, social e ambiental.
E não podemos deixar de falar em geopolítica nesse contexto atual, afinal de contas o agronegócio brasileiro pode pagar a conta de decisões políticas que não controla. Clique aqui e saiba mais!
Falar de ESG no agronegócio é, necessariamente, falar de gestão de risco. E falar de gestão de risco é reconhecer o papel estratégico do seguro para garantir a longevidade do setor.
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