A pressão de queda no preço do boi gordo levou o valor da referência do mercado futuro abaixo de R$340,0 por arroba, no menor valor desde fevereiro.
Como temos discutido no Farmnews, a tendência do preço do boi gordo, no curto prazo, é de queda. O valor da arroba (Datagro) desde o final da primeira metade de junho acumulou queda de 3,8%, cotado a R$339,8 por arroba (Figura), no menor valor desde fevereiro.
O preço do boi gordo em junho (22) caiu pelo quarto dia seguido.
A Figura ilustra a evolução diária do preço nominal do boi gordo (Datagro), em Reais por arroba, ao longo de 2026.

Os relatos apontam para um mercado um pouco mais ofertado, suficiente para atender a demanda da indústria. O receio predomina diante das incertezas relacionadas as consequências logo que a cota de exportação de carne bovina do Brasil para a China for alcançada. E além disso, o consumo doméstico segue lento.
Vale destacar, contudo, que a pressão de queda no preço do boi gordo no curto prazo pode ser limitada, especialmente devido à queda no ritmo de exportação de carne bovina do Brasil na terceira parcial de junho.
Os dados de exportação da parcial de junho sugerem que a velocidade do alcance da cota pode ser mais lenta, pressionando a expectativa de preço para os contratos mais próximos do vencimento, mais especulados nesse momento na B3.
O fato é que embora não haja uma expectativa de recuperação robusta de preço do boi gordo no curto prazo, uma queda exagerada também parece mais distante. E, aliás, o mercado futuro do boi gordo mostra uma expectativa mais otimista de preço, especialmente para os últimos 2 meses do ano (clique aqui).
É importante observar também que a relação de troca, que mede o poder de compra do pecuarista no momento de repor o rebanho, caiu para o menor patamar histórico para um mês de junho, em 2026.
Na parcial de junho de 2026, com o valor referente a venda de um boi gordo (Cepea) de 20,0@ arrobas foi possível comprar, em média, 2,07 bezerros (Cepea, Mato Grosso do Sul). Esse foi o valor mais baixo ao longo da série iniciada em 2010.
Apesar da mínima para um mês de junho, a relação de troca mostrou leve recuperação frente ao mês anterior, uma vez que o preço do bezerro também segue oscilando entre uma leve queda e a estabilidade ao longo de junho, como tradicionalmente acontece no período do ano.
O fato é que a relação de troca e o poder de compra do pecuarista no momento de repor o rebanho no mercado deve seguir pressionado, uma vez que o preço do bezerro tende a se manter firme e o preço do boi gordo está mais vulnerável às pressões de curto prazo, como inclusive sugerem os valores praticados no mercado futuro (B3).
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