O preço do boi gordo no mercado futuro caiu forte desde abril e precificou uma queda muito forte no físico. Mas ela foi muito exagerada, não foi?
Pois é, foi!
E isso foi muito discutido pelo Farmnews, já que o comportamento de preço do mercado futuro influencia o físico. Mas isso traz consequências, tanto para o pecuarista que muitas vezes acaba acelerando uma venda, como também mais para frente, pois pode gerar um “vazio” ainda maior de oferta.
E isso é o que temos reforçado, da importância de avaliar os fundamentos do mercado pecuário que, são altistas, apesar das incertezas e receios cada vez mais comum ao mercado do boi gordo. A insegurança agora é principalmente relacionada a cota de exportação de carne bovina para a China, sem tarifa adicional. Mas sempre haverá algo que movimenta e aumenta a especulação no mercado pecuário e temos de nos acostumar a isso. Mas, fundamento é fundamento!
Veja que em abril, o mercado futuro para o vencimento de junho, por exemplo, despencou, mas essa queda no físico não foi acompanhada na mesma proporção (primeira Figura). Era esperada uma queda no valor da arroba devido ao período do ano e dos efeitos negativos do clima no período de safra. Mas os dados da B3 mostraram um cenário de queda para junho que, não deve se confirmar.
A Figura ilustra a evolução diária do preço nominal do boi gordo (Datagro) e da expectativa para junho de 2026 (B3, valor de ajuste), em Reais por arroba, ao longo de 2026.

Em abril, enquanto o mercado físico renovava a máxima nominal histórica, o mercado futuro precificava queda. Isso é normal, já que no mercado futuro se negociam expectativas.
No entanto, a queda na B3 foi tão forte que o mercado futuro chegou a precificar, no final de abril, uma diferença de mais de R$30,0 por arroba entre o contrato de junho e o valor atual da arroba (segunda Figura). E isso chamou a atenção e reforça os cuidados do pecuarista em avaliar apenas os dados da B3.
A Figura apresenta a diferença diária entre o preço esperado do boi gordo para junho (B3, valor de ajuste) e o valor do boi gordo no físico (Datagro), em Reais por arroba, ao longo de 2026.

O preço do boi gordo no mercado físico, embora ainda acumule queda em maio, frente ao valor que encerrou abril, voltou a subir na segunda quinzena do mês (terceira Figura), com perspectiva de valores mais firmes ao longo de junho.
A referência no físico (Datagro) se aproxima novamente de R$350,0 por arroba e o contrato para junho, na B3, foi negociado pouco acima desse patamar no final de maio (R$353,5).
A Figura ilustra o comportamento diário do preço nominal do boi gordo (Datagro), em Reais por arroba, em 2026.

O Farmnews também atualizou os dados que mostram a evolução do preço do boi gordo e do abate total de bovinos no Brasil no 1º trimestre entre 2010 e 2026.
Vale lembrar que o abate oficial de bovinos no Brasil no 1º trimestre de 2026 foi o maior para o período do ano, pela primeira vez acima de 10,00 milhões de cabeças no acumulado dos 3 primeiros meses do ano.
O abate de bovinos no Brasil, dados oficiais, foi de 10,29 milhões e, acumulando o quinto ano consecutivo de alta para o período do ano.
O importante é observar que o abate de bovinos no atual ciclo de alta de longo prazo segue subindo, mesmo com o preço do bezerro renovando a máxima histórica. O ritmo de crescimento do abate total de bovinos, embora recorde no 1º trimestre de 2026, diminuiu frente aos anos anteriores, mas, ao contrário do que aconteceu em 2015 e 2021 (ciclos de alta anteriores), ainda não caiu e isso merece atenção!
Nesse contexto, o potencial de valorização do boi gordo no atual ciclo de alta de longo prazo permanece e isso tende a se potencializar à medida que o abate de fêmeas diminua e a falta de bezerros e, consequente, boi gordos no futuro próximo se torne mais evidente.
E por falar no assunto, o Farmnews também atualizou os dados do preço corrigido do boi gordo e do preço corrigido do bezerro que reforçam para a tendência de alta no longo prazo, apesar das quedas pontuais de curto prazo.
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