O noticiário político-econômico do agro foi marcado por avanços nas relações comerciais com a China, novas incertezas para o mercado de soja, alerta climático para o início da safra 2026/27 e preocupação com o abastecimento de fertilizantes.
Brasil e China ampliam mercado para produtos suínos
Brasil e China revisaram o protocolo sanitário bilateral para a exportação de miúdos suínos. A medida amplia a lista de produtos brasileiros autorizados a ingressar no mercado chinês e cria novas oportunidades para frigoríficos habilitados.
A mudança favorece a diversificação da pauta exportadora e pode elevar o aproveitamento econômico da carcaça. O impacto, contudo, dependerá da habilitação dos estabelecimentos, do cumprimento dos requisitos sanitários e da formação de canais comerciais.
Relação entre China e Estados Unidos volta a influenciar a soja
A extensão da trégua comercial entre China e Estados Unidos recolocou a soja no centro das negociações agrícolas. O mercado passou a avaliar a possibilidade de retomada das compras chinesas de soja norte-americana, o que pode reduzir, ao menos temporariamente, o espaço da origem brasileira na demanda asiática.
A oleaginosa ficou fora de parte das reduções tarifárias anunciadas após as negociações, mantendo incertezas sobre o fluxo comercial entre os dois países. Esse cenário tende a aumentar a volatilidade dos prêmios, das exportações brasileiras e das decisões de venda dos produtores.
Clima mantém pressão sobre o plantio da safra 2026/27
O Instituto Nacional de Meteorologia destacou uma combinação de calor intenso e temperaturas acima de 40 °C em diversas áreas do país. Também foi divulgada a previsão para a semana de 28 de setembro a 5 de outubro.
O principal desafio para o produtor não é apenas o volume total de chuva, mas a sua distribuição. Chuvas irregulares podem limitar a umidade necessária para a implantação da soja e do milho, enquanto precipitações excessivas podem reduzir as janelas para plantio, aplicação de defensivos e operações mecanizadas.
Dependência de fertilizantes continua no radar
A dependência brasileira de matérias-primas importadas ganhou destaque diante das restrições logísticas e dos conflitos no Oriente Médio.
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Isso porque na parcial até a terceira semana de setembro (considerando 13 dias úteis), a média diária de compra pelo Brasil foi de 137,31 mil toneladas, valor 29,9% abaixo da média diária de importação de setembro de 2025 (195,93 mil toneladas).
Vale lembrar que em 2025, até agosto, o Brasil importou 29,46 milhões de toneladas em matérias-primas e em 2024 a quantidade de compra foi de 27,14 milhões de toneladas.
O preço médio de importação das matérias-primas, em 2026, até agosto, foi de US$394,47 por tonelada, o maior valor para o período do ano desde 2022.
Lembrando que em 2025, até agosto, o preço médio de importação de fertilizantes pelo Brasil foi de US$340,21 por tonelada.
Nesse contexto, vale destacar também que a importação de cloreto de potássio voltou a cair em agosto de 2026 e passou a ficar abaixo do valor acumulado no ano frente ao mesmo período de 2025.
A importação de cloreto de potássio pelo Brasil em agosto de 2026 foi de 0,93 milhão de toneladas, valor 37,7% abaixo praticado em agosto de 2025 (1,50 milhão de toneladas) e no menor para o período do ano em uma série iniciada em 2018.
No acumulado de 2026, até agosto, a importação de cloreto de potássio pelo Brasil passou a cair em relação ao valor observado no mesmo período de 2025.
Isso porque entre janeiro e agosto de 2026 a compra de cloreto de potássio pelo Brasil somou 9,76 milhões de toneladas, superando o recorde anterior de 2025 (10,12 milhões de toneladas).
O enxofre aparece entre os insumos mais sensíveis, por ser utilizado na produção de ácido sulfúrico e de fertilizantes fosfatados. A busca por fornecedores alternativos, incluindo Marrocos, Canadá e Rússia, pode reduzir riscos de abastecimento, mas não elimina as incertezas relacionadas a fretes, prazos e custos.
E por falar em enxofre, a importação de enxofre pelo Brasil segue muito abaixo dos valores praticados no mesmo período dos anos anteriores, em 2026 e, preço segue acima de US$1,00 mil por tonelada.
Vale lembrar que o enxofre é estratégico po
O que o dia indicou para o agronegócio
- A suinocultura ganhou uma nova oportunidade de diversificação nas exportações.
- A soja brasileira continua exposta às decisões comerciais entre China e Estados Unidos.
- O clima passa a ser um fator decisivo para o ritmo de implantação da safra 2026/27.
- A dependência externa de fertilizantes permanece como risco estratégico para custos e planejamento.
- Produtores e empresas tendem a priorizar decisões de compra, venda e investimento mais seletivas.
Resumo: o dia combinou uma notícia positiva para a suinocultura com aumento da incerteza nos mercados de soja, clima e fertilizantes. Para o produtor brasileiro, os principais pontos de acompanhamento são o ritmo das compras chinesas, a regularidade das chuvas e a disponibilidade de insumos para o avanço da safra.
Saiba também que, quando falamos de risco no agronegócio, precisamos olhar para o sistema agroindustrial como um todo.
A primeira dimensão é o risco de mercado. Esse é muito visível nas cadeias ligadas a commodities, como grãos, açúcar, proteína animal e várias outras. Preços de venda oscilam. Custos de produção também. Fertilizantes, defensivos, energia, frete, mão de obra e câmbio podem mudar rapidamente. Clique aqui e saiba mais!
E mudando de assunto, e se a China passar a precisar menos do agro brasileiro?
Se a China está se preparando para depender menos de fornecedores externos e para diversificar suas fontes de suprimento – o Brasil também precisa se preparar para depender menos de um único comprador. Clique aqui e saiba mais!
E hoje, apesar dos notáveis avanços tecnológicos, as margens agrícolas de muitas empresas profissionais estão mais apertadas do que se poderia imaginar.
Isso não é simplesmente o resultado de uma safra difícil ou de condições temporárias do mercado.
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