O caso Havaianas é uma oportunidade para ir além da discussão política e falar, também, do agro para quem não é do agro.
E o que sugeriu Bruna Forte, nossa colunista, foi muito criativo. Por que não começar o ano de 2026 com o “pé no agro”? Essa foi a sugestão!
O Brasil, claro, com maestria e a há muito tempo, mantém o “pé no agro”. No entanto, muitos ainda não sabem ou preferem ignorar para esse fato. A população da cidade, em sua maioria, insiste em criticar o agronegócio e sua importância, afinal, a grande mídia e a comunidade artística costumam ignorar os avanços e as conquistas do setor. Avanços que impactam positivamente a vida das pessoas e o meio-ambiente. Bom, mas isso é outra discussão.
O fato é que o caso Havaianas abre uma oportunidade, mesmo que pontual, de falar de agro para quem não é do agro e apresentar algumas informações que a grande mídia e muitos artistas não divulgam.
A polêmica do caso Havaianas causa repercussão e forte impacto nas redes sociais e muitos influenciadores aproveitam para ganhar engajamento e visualizações. Se foi pensado nas consequências, sejam positivas como negativas, não sabemos. Mas o que isso tem a ver com o agro? Como falamos, vamos nesse momento apenas aproveitar a oportunidade e tentar alcançar aquele público que pouco sabe de agro e, principalmente, que ainda acredita que o agro é, de alguma forma, vilão do meio-ambiente, da economia ou da sociedade.
O Farmnews tem se preocupado em apresentar dados, discutir tendências de preços, no intuito de contribuir para uma melhor tomada de decisão do produtor. Ele tem um objetivo de fortalecer a capacidade do produtor em planejar suas compras e vendas, gerir risco e se planejar para um melhor resultado econômico. Mas também temos um papel importante e cada vez maior que é o de educar e mostrar para o público que não pertence ao campo da importância do agronegócio, não apenas do ponto de vista econômico, mas social, ambiental e para a segurança alimentar do planeta.
Por isso falar de agro para o agro é diferente do que falar de agro para o público urbano e quando vi o caso havaianas, logo pensei em aproveitar esse momento para valorizar o agro e compartilhar algumas temas pouco são discutidos pelos artistas ou pela grande mídia. E o post da Bruna Forte me incentivou a isso e pedi a permissão dela para fazer uso do seu pensamento: “pé no agro” Foi perfeito.
Aliás, Bruna Fortes já apresentou no Farmnews, por exemplo, sua preocupação sobre como o agro é discutido nas escolas hoje. Professores que levam à sala de aula não apenas conteúdos, mas uma visão de mundo crítica e hostil ao agro, transmitida de forma naturalizada.
Esse viés ideológico não se limita ao ensino médio, ele começa cedo, em livros da pré-escola e séries iniciais, o agro aparece reduzido a imagens simplistas: tratores que destroem florestas, monoculturas como inimigas da biodiversidade, boi como sinônimo de poluição, trabalho análogo a escravidão e outras simbologias que realmente nos assusta.
Nos anos finais e no ensino médio, a retórica se intensifica: textos de geografia descrevem o agronegócio apenas como latifúndio explorador, materiais de biologia reduzem o debate agrícola ao uso de “veneno”, sociologia e história abordam o campo exclusivamente a partir de conflitos, quase sempre sem contextualizar avanços tecnológicos, produtivos e socioambientais.
Na universidade, esse ciclo se fecha, muitos cursos de humanas reforçam a crítica estrutural ao agro, produzindo trabalhos acadêmicos que retroalimentam essa visão e servem, mais tarde, como base para a elaboração dos próprios livros escolares. Um círculo vicioso se instala: formação enviesada – produção de material enviesado – perpetuação do viés.
Os impactos na sociedade: preconceito e desinformação
O reflexo desse processo do agro nas escolas é direto, já que jovens chegam à vida adulta com uma percepção distorcida: o agro seria responsável por destruir florestas, envenenar alimentos e explorar comunidades, enquanto pouco ou nada se fala sobre:
- uma produção de alimentos que sustenta 1 bilhão de pessoas no mundo;
- a liderança do Brasil em agricultura de baixo carbono;
- sistemas regenerativos como a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF);
- avanços em biotecnologia, conectividade e mecanização inteligente;
- o papel central do agro no superávit da balança comercial brasileira.
Quando a educação falha em mostrar a realidade completa, não forma cidadãos críticos, forma cidadãos preconceituosos. Esse preconceito se reflete no debate público, na formulação de políticas e até na maneira como o jovem urbano se relaciona com sua alimentação.
Além da questão da educação nas escolas, temos outros exemplos que poucos são mencionados, como do papel social do agro brasileiro e não apenas na geração de empregos diretos e indiretos. Renato Seraphim nos conta um pouco de sua experiência em assentamentos rurais que deram certo e podem servir de exemplo para sustentabilidade e inclusão social no campo! Em outras palavras, a ideia e “nós contra eles”, de “ricos contra pobres” é desfeita quando se conhece mais a fundo os desafios do campo (clique aqui).
Os avanços da agricultura regenerativa e seu papel em contribuir para uma produção cada vez mais sustentável e de menor impacto são pouco discutidas e apresentadas à sociedade. Fabrício Peres destaca que a agricultura regenerativa se apresenta como uma abordagem inovadora e necessária para enfrentar os desafios ambientais no Brasil e no mundo.
A agricultura regenerativa é mais do que uma tendência; é uma necessidade diante dos desafios ambientais enfrentados pelo Brasil. Devido à sua rica diversidade de ecossistemas e ao papel crucial na produção global de alimentos, o Brasil possui uma oportunidade única de adotar práticas que não apenas garantam a sustentabilidade na produção, mas também ajudem a restaurar a saúde do meio ambiente. Essa transição pode melhorar a qualidade do solo e da água, além de auxiliar na luta contra as mudanças climáticas. Clique aqui e saiba mais!
O caso Havaianas é daqueles que criam oportunidades importantes de nos comunicar com a cidade. Falar do agro para quem não é do agro e mostrar que embora tenhamos muito a melhorar, o setor não é reconhecido pelo que tem feito para o nosso País, isso importa.
Que comecemos mais e mais anos com o “pé no agro”. Obrigado Bruna Forte!
Renato Seraphim destaca também para o fato de não existir crise no agronegócio, mas sim um ajuste cíclico que expõe as vulnerabilidades do setor diante de gargalo logístico, volatilidade e necessidade de agregar valor do produto! Clique aqui e saiba mais!
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