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A grande engenharia da inovação: o que o Inova Agro Tour RJ me ensinou?

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A transformação é silenciosa, mas ela é real, irreversível e está acontecendo agora. Confira os destaques do Inova Agro Tour 2026!

No início de junho, o Rio de Janeiro sediou um debate de relevância crucial para o futuro do nosso setor. O Inova Agro Tour Rio 2026, realizado no icônico prédio da Sociedade Nacional de Agricultura (SNA), reuniu startups, produtores, cooperativas e investidores. Para além dos painéis e das métricas, o evento me deixou duas certezas indeléveis: a primeira é o impacto avassalador da estrutura da SNA e do hub SNASH na catalisação do ecossistema de agtechs; a segunda é que a inovação no agro só faz sentido se resolver as dores reais do homem do campo.

Como profissional que defende os pilares de Postura, Posicionamento e Presença para o desenvolvimento do setor, ver o SNASH — sob a liderança do CEO Leonardo Alvarenga — consolidar 175 startups ativas em 16 estados é a prova de que a nossa “transformação silenciosa” ganhou escala. A SNA não é apenas história; ela se posicionou como o porto seguro da disrupção tecnológica do agro brasileiro.

Divido aqui com os leitores da Farmnews os principais insights que absorvi deste dia, divididos entre a minha própria participação e o privilégio de ouvir atentamente as lideranças do setor.

  1. O alerta do crédito e a inteligência humana (Minha Contribuição no Painel)

Tive a honra de debater a Inteligência Artificial no campo ao lado de feras como Daniele Lopes (SLC Agrícola), Lucas Koren (IMBR Agro) e Leandro Sarto (Senior Sistemas). Ficou evidente que a IA veio para democratizar processos — como o caso impressionante da IMBR Agro, que mapeou 25 milhões de hectares para risco de incêndio via e-mail, sem a necessidade de softwares complexos.

Contudo, fiz questão de trazer um contraponto realista para a mesa: não podemos delegar o agro inteiramente aos algoritmos. Se dependêssemos puramente dos modelos atuais de análise de crédito automatizada, quase a totalidade dos produtores rurais teria o financiamento negado no cenário macroeconômico presente.

A IA mapeia e sinaliza o caminho, mas a leitura humana, o histórico de resiliência e a relação de confiança construída no olho no olho ainda são insubstituíveis. Como bem sintetizei na oportunidade:

“Nós somos o agricultor que mais adota tecnologia no mundo. O desafio agora é contar essa história melhor.”

  1. A dor de gestão e a “Ruptura” financeira do produtor

Ao sentar na plateia para ouvir os demais painéis, o choque de realidade veio rápido no debate liderado por Jerônimo Goergen (ACEBRA/APROBIO) e Fátima Martins (XP Inc.). O diagnóstico é duro, mas necessário: o Brasil bate recordes de produção, mas o agricultor está no limite financeiro, com um endividamento que pode atingir R$ 400 bilhões em seis anos. O dado mais alarmante? Dois terços dessa dívida estão fora do sistema bancário tradicional, pulverizados entre revendas, cooperativas e canais de insumos.

A tecnologia, portanto, precisa migrar urgentemente do foco exclusivo em “produzir mais por hectare” para o pilar do Posicionamento e Gestão, como bem pontuou Graciele Lima (Senior Sistemas). O gargalo do agro não é mais a produtividade biológica; é a eficiência na tomada de decisão em ambientes complexos. A IA e os algoritmos precisam ser ferramentas de proteção de margem e fluxo de caixa, ajudando o produtor a mitigar riscos regulatórios, climáticos e de mercado.

  1. O cooperativismo como vetor de sucessão familiar

Outro insight brilhante veio do painel sobre cooperativismo, com o Sicredi e a OCB/RJ. Ficou claro que a inovação só chega à ponta, para o pequeno e médio produtor, se houver Presença.

O caso narrado pelo colega Rafael Martins ilustra perfeitamente essa dinâmica: um produtor da região serrana fluminense conheceu o uso de drones em uma intercooperativa no Paraná, viabilizou o crédito com o Sicredi e, graças à introdução da tecnologia na lavoura, o filho decidiu permanecer na propriedade. A tecnologia aplicada pelo cooperativismo não é apenas sobre eficiência agronômica; é sobre a sustentabilidade humana e a sucessão familiar no campo.

  1. Transição energética e cultura de inovação aberta

O fechamento do evento nos mostrou que o Brasil já é protagonista na transição energética, com quase metade da matriz de combustíveis líquidos renovável. O desafio levantado por André Nassar (ABIOVE) e Sylvia Wachsner (SNA) é institucional: precisamos aprender a vender esse modelo globalmente e blindar o setor contra as constantes instabilidades regulatórias que afastam os investimentos de longo prazo.

Por fim, o painel de inovação aberta moderado pela Gabriela Capobianco sacramentou o que sempre prego: inovar é sobre pessoas e cultura, e não sobre ferramentas. O exemplo da Atvos, abrindo 300 mil hectares como laboratório vivo, e da Yara, tornando públicos dados históricos de talhões para o fortalecimento do ecossistema, mostra que o mercado entendeu que a colaboração é o único caminho viável para resolver os gargalos logísticos e comerciais do país.

Conclusão: A biruta gira para quem está pronto

Saí do Inova Agro Tour Rio 2026  com a certeza renovada de que o agro brasileiro tem as respostas para os maiores desafios do planeta — sejam eles ambientais, energéticos ou de abastecimento.

Estruturas de fomento como a SNA e o SNASH são os motores que aceleram essa engrenagem. O papel de nós, profissionais e consultores do agro, é ter a Postura de liderar essa transição, o Posicionamento técnico para proteger a saúde financeira do agricultor e a Presença firme para garantir que a inovação não fique restrita aos grandes grupos, mas transforme a realidade de quem acorda cedo para colocar o alimento na mesa do mundo.

A transformação é silenciosa, mas ela é real, irreversível e está acontecendo agora.

E mudando de assunto, nos últimos anos, acreditamos que a transformação digital do agronegócio aconteceria apenas dentro da porteira. Mas agora ela chega com força para também revolucionar o varejo agrícola.

Recentemente, tenho participado de vários painéis que discutem o poder da Inteligência Artificial na agricultura, a exemplo das profundas discussões sobre a digitalização do agronegócio que vivenciamos na São Paulo Innovation Week. Clique aqui e confira!

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