A queda no preço futuro do boi godo em abril tem chamado a atenção pelo forte descolamento do físico e isso pode ser um sinal de alerta para o pecuarista?
Alguns de nossos leitores tem nos procurado para entender melhor essa situação, pois para a grande maioria dos pecuaristas ainda é difícil entender esses movimentos especulativos e o que, de fato, esperar para o curto prazo.
Afinal, o mercado físico do boi gordo se mantém firme e o preço futuro da arroba na B3 não para de cair, precificando quedas expressivas de preço no curto prazo. E em especial os produtores menos envolvidos com o mercado futuro ficam sem entender e cada vez mais preocupados.
No início da segunda metade de abril, o mercado futuro do boi gordo precifica uma queda de mais de R$20,0 por arroba para maio e de mais de R$30,0 por arroba para junho e julho. E isso diante de um mercado físico firme.
Claro, estamos perto da safra, as pastagens tendem a piorar em grande parte das regiões de pecuária do País e, consequentemente, a oferta de animais para o abate aumenta. Mas uma queda pode ser esperada, mas será que do tamanho que o mercado futuro precifica?
Pois é, a expectativa do preço futuro do boi gordo para maio em torno de R$345,0 por arroba e junho e julho perto de R$335,0 por arroba no início da segunda metade de abril parece uma queda muito expressiva, considerando o patamar atual da referência do mercado futuro no físico (Datagro), acima de R$366,0 por arroba.
Como temos destacado no Farmnews, no mercado futuro se negociam expectativas de preços para vencimentos específicos e, além dos movimentos especulativos, existem, claro, interesses em prevalecer determinada posição que pode ser de alta como de queda. Além dos investidores Pessoa Física e dos Estrangeiros, existem os investidores Pessoa Jurídica, sejam eles empresas financeiras (bancos) como não-financeiros (indústria) e cada um deles tem seus objetivos e interesses. Isso é normal.
E como temo destacado no Farmnews até o período do vencimento, quando o preço no futuro converge com o valor da arroba no físico, distorções e movimentos especulativos acontecem. Uma coisa é o mercado futuro, outra coisa é o mercado físico, pelo menos até o período de vencimento. Bom, mas a questão é que o preço futuro pode muitas vezes influenciar a decisão do pecuarista e é justamente isso o que pode acontecer nesse futuro próximo. E é aí que vale a atenção!
Então, respondendo à pergunta do início, o mercado futuro funciona como uma referência, mas claro, como o mercado é volátil e especulado, pode sim prevalecer o interesse, ao menos momentâneo, de uma queda mais expressiva na B3, pois ressalta o receio e, com isso, uma venda antecipada de animais no mercado físico. Esse é o receio, quando a expectativa se concretiza, especialmente em patamares distorcidos de preços no mercado futuro.
Muitas vezes o preço futuro do boi gordo pode sim estimular uma maior intenção de venda no físico e é esse o cuidado que temos destacado aqui. Claro, o momento da decisão de venda é particular a cada pecuarista, de acordo com sua estratégia e recursos, tanto operacionais como financeiros. Mas é importante estar atento também aos fundamentos e não apenas na B3.
Em outras palavras, com a forte queda no mercado futuro e as pastagens começando a sentir os efeitos da seca e do clima mais frio, o pecuarista preocupado, decidi vender e esse efeito de venda se potencializa. Como temos dito, uma queda, ainda que modesta era esperada no período de safra, mas o componente mercado futuro pode potencializar essa queda no mercado físico e é esse o objetivo aqui, de tentar esclarecer melhor a situação para os pecuaristas menos familiarizados com o mercado futuro do boi gordo.
Mas outro detalhe importante deve ser mencionado. Ainda em abril o preço futuro do boi gordo para maio chegou a ser cotado em patamares acima de R$360,0 por arroba. Na verdade, em abril (6) o preço futuro do boi gordo para maio de 2026 alcançou a máxima de R$367,5 por arroba, valor mais de R$20,0 por arroba acima do patamar na B3 em abril (20), de R$345,4 por arroba.
Isso mostra que embora o mercado futuro do boi gordo possa sim ser manipulado, o que faz parte do mercado financeiro e devemos estar preparados a isso, por outro lado, também oferece oportunidades de proteção importantes. Com estratégia e gestão de risco, a B3 pode ser muito importante para o produtor.
Aliás, mesmo com a oscilação de preço, para baixo nos contratos, o número de contratos em aberto no mercado futuro do boi gordo seguiu próximo da máxima de 2026, o que é um bom sinal em termos de liquidez. O número de posições em aberto na B3 permaneceu estável no final da primeira metade de abril. O contrato para maio segue com o maior número de posições em aberto, mostrando uma maior atenção dos investidores para o vencimento.
É importante destacar que embora pressionado e abaixo da referência no físico em abril, a expectativa para maio é de novo recorde nominal para o período do ano, superando a máxima anterior para um mês de maio, em 2022. O Farmnews inclusive atualizou os dados do preço do boi gordo nos meses de maio, entre 2010 e a expectativa de 2026.
O Farmnews também comparou os dados do preço do bezerro, boi gordo, milho e da soja nos meses de abril, entre 2018 e a parcial de 2026, avaliados tanto em moeda americana como em moeda nacional!
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