O preço futuro do boi gordo segue oscilando entre altas e baixas na B3, mas dos contratos para os meses finais sinalizam melhora.
A referência do mercado futuro, o indicador Datagro voltou a ficar abaixo de R$340,0 por arroba em junho (23), o menor patamar desde fevereiro (clique aqui).
A pressão no curto prazo é justificada por uma oferta de animais para o abate equilibrada com a demanda da indústria, diante de um consumo doméstico de carne bovina mais fraco e um ritmo de exportação também mais lento (clique aqui).
No entanto, embora o preço futuro do boi gordo oscile, especialmente para os contratos mais próximos do vencimento, a perspectiva para é de um cenário mais otimista que o atual a partir de outubro. Isso é o que mostram os dados de preço dos contratos futuros negociados na B3 (Figura).
A Figura apresenta os dados da diferença entre o preço esperado (B3, valor de ajuste) e atual (Datagro) da arroba do boi gordo, para os vencimentos entre junho de 2026 e fevereiro de 2027, em junho (23), em Reais por arroba.

O mercado futuro do boi gordo é, claro, bastante volátil, e os cenários mudam rapidamente na B3. No entanto, o preço futuro do boi gordo para os vencimentos mais distante vem se mantendo mais estável e em patamares acima do valor atual da arroba no físico.
Isso sugere uma perspectiva de recuperação.
A expectativa de valorização em 2026 certamente era muito maior que a precificada na B3 em junho. A máxima para os contratos em aberto na B3, de dezembro segue abaixo de R$360,0 por arroba. A expectativa era de um valor de arroba acima de R$400,0 por arroba.
Mas o cenário mudou, principalmente com relação ao limite de cota de exportação de carne bovina do Brasil para a China, sem tarifa adicional.
A geopolítica, cada vez mais presente também na pecuária, tem mudado a perspectiva e vem pressionando o preço do boi gordo tanto no mercado físico como futuro no curto prazo, ainda mais que estamos cada vez mais próximos de alcançar o limite de cota estabelecido pelo país asiático para 2026, de 1,10 milhão de toneladas.
Apesar dos fundamentos sólidos e altistas da pecuária de corte mundo afora, o curto prazo sofre influência dos acordos comerciais e os movimentos protecionistas que se tornam mais comuns e, merecem atenção.
O fato é apesar da volatilidade comum ao preço futuro do boi gordo, ao longo da segunda metade de junho, o valor dos contratos, com exceção do vencimento para junho, acumulou alta, ao contrário do valor praticado no mercado físico (Tabela).
A Tabela apresenta os dados do preço do boi gordo no mercado físico (Datagro) e dos contratos futuros (B3, valor de ajuste) para vencimento entre junho de 2026 e fevereiro de 2027, em Reais por arroba.

O Farmnews tem destacado para a maior valorização dos contratos que vencem nos últimos meses de 2026, com especial atenção a dezembro. Os vencimentos para o início de 2027 também mostram uma perspectiva de valorização, mas ainda com uma menor liquidez.
É importante observar também que a relação de troca, que mede o poder de compra do pecuarista no momento de repor o rebanho, caiu para o menor patamar histórico para um mês de junho, em 2026.
Na parcial de junho de 2026, com o valor referente a venda de um boi gordo (Cepea) de 20,0@ arrobas foi possível comprar, em média, 2,07 bezerros (Cepea, Mato Grosso do Sul). Esse foi o valor mais baixo ao longo da série iniciada em 2010.
Apesar da mínima para um mês de junho, a relação de troca mostrou leve recuperação frente ao mês anterior, uma vez que o preço do bezerro também segue oscilando entre uma leve queda e a estabilidade ao longo de junho, como tradicionalmente acontece no período do ano.
O fato é que a relação de troca e o poder de compra do pecuarista no momento de repor o rebanho no mercado deve seguir pressionado, uma vez que o preço do bezerro tende a se manter firme e o preço do boi gordo está mais vulnerável às pressões de curto prazo, como inclusive sugerem os valores praticados no mercado futuro (B3).
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