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O radar que faltava: A nova fronteira da decisão no agro brasileiro!

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O agro brasileiro já provou sua capacidade de execução; agora, o desafio é evoluir na qualidade da decisão!

O agronegócio brasileiro sempre foi reconhecido por sua capacidade de superar limites. Transformamos solos desafiadores em potência produtiva, dominamos o trópico e construímos uma das agriculturas mais competitivas do mundo. Mas há uma mudança silenciosa em curso — talvez a mais profunda das últimas décadas.

O agro deixou de ser apenas uma indústria de produção para se tornar, rapidamente, uma indústria de decisão sob alta complexidade. Se no passado o sucesso de uma safra dependia quase exclusivamente do conhecimento acumulado e do instinto do agrônomo — o famoso “olho do dono” e o “feeling” de campo —, hoje o cenário exige mais. Em um ambiente de margens estreitas e clima volátil, o instinto isolado tornou-se um risco.

Estamos vivendo a transição para o papel do Agrônomo do Futuro. Se antes decidíamos baseados em médias e percepções, hoje temos à disposição tecnologias que funcionam como o radar de uma aeronave: elas não substituem o piloto, mas tornam a navegação assertiva, segura e fundamental. O diferencial competitivo não está mais apenas no quanto se produz, mas na capacidade de usar essa “inteligência de radar” para decidir com precisão cirúrgica antes mesmo da primeira semente cair no solo.

Nesta nova fronteira, a tecnologia não vem para mecanizar o pensamento, mas para fundamentar a estratégia.

O poder do ecossistema: Agtechs e inovação colaborativa

Como mentor de agtechs e empreendedor, tenho acompanhado de perto o florescer de um ambiente colaborativo de inovação sem precedentes no Brasil. É inspirador ver uma nova geração de jovens talentos enxergando o campo não apenas como solo e semente, mas como um terreno fértil para a tecnologia de ponta.

Na minha visão, o protagonismo do Brasil nas próximas décadas será consolidado pelo binômio Nanotecnologia e Inteligência Artificial (IA). Enquanto a primeira revoluciona a eficiência molecular e a proteção de cultivos, a segunda atua como o cérebro que orquestra essa complexidade.

A era da decisão aumentada

Durante anos, o campo operou sob um modelo de “médias”: médias de produtividade, de clima e de cultivares. Mas o campo real nunca foi médio. Ele é variável e dinâmico, pressionado por riscos climáticos e margens estreitas.

Não falamos mais de tecnologia como suporte, mas como o sistema operacional do agro brasileiro moderno. O novo centro de valor agora é o Pré-Plantio, momento em que a maior parte do resultado da safra é definida e onde, historicamente, a incerteza costuma ser maior.

Agscore: A IA prática que conecta gerações

Como mentor e empreendedor, acredito piamente que o protagonismo brasileiro será consolidado pelo binômio Nanotecnologia e Inteligência Artificial. É dentro dessa tese que surge uma nova geração de agtechs que redefinem a lógica da decisão no campo. Dentre elas, destaco a Agscore, solução que tive a satisfação de mentorear recentemente e que materializa o que tanto defendo: traduzir a profundidade da ciência de dados em algo prático, acessível e resolutivo.

Mas tecnologia não se faz apenas com algoritmos; se faz com pessoas. O que me dá confiança na Agscore é o time que a sustenta. Jovens empreendedores como Kallil Chebaro, com sua visão de inovação em escala global; André Wetter, com sua sólida estruturação financeira; e Fernando Bastos, que traz a agronomia aplicada de quem conhece o campo em Israel e nos EUA. É essa mistura de liderança tecnológica e foco em aplicação prática que faz a diferença. Ver profissionais desse calibre dedicados a reduzir a incerteza do nosso produtor é o que me dá certeza do sucesso do nosso ecossistema.

O grande mérito dessa colaboração é eliminar o alto custo de decidir sem previsibilidade. Para entender o salto que estamos dando, basta comparar a profundidade das perguntas que o produtor e o agrônomo se fazem:

  • Antes da Agscore: As perguntas eram genéricas: “Qual cultivar performa melhor?”, “Quando plantar?” ou “Quanto posso produzir?”. Respostas muitas vezes baseadas em médias regionais ou puramente no instinto.
  • Com a Agscore: O nível de assertividade muda. A pergunta passa a ser: “Qual cultivar performa melhor neste talhão, nesta janela e neste cenário de risco?”. O planejamento deixa de ser um palpite para se tornar uma estratégia: “Qual janela oferece menor risco e maior potencial para cada ambiente específico?”.

Ao integrar mais de 100 variáveis por talhão — cruzando solo, clima, genética e manejo — a plataforma permite enxergar o potencial produtivo real, considerando a variabilidade de cada hectare. Mais do que apenas entregar dados, a Agscore ajuda a responder à pergunta que tira o sono do produtor: “Qual o risco da operação?”. Ela mostra onde o risco está sendo assumido e como alocar recursos para maximizar o retorno. É, enfim, a transição definitiva da agricultura de tentativa e erro para uma agricultura de simulação, profundidade e visão de risco.

agro brasileiro

O Agrônomo do Futuro: O Piloto com Radar

Muitos me perguntam sobre o papel do agrônomo diante desse avanço. Como autor e estudioso do tema, minha resposta é otimista: o profissional nunca foi tão necessário. Mas seu papel evoluiu. O “Agrônomo do Futuro” deixa de ser um executor técnico para se tornar um estrategista de sistemas complexos.

“Ferramentas como a Agscore não substituem o agrônomo; elas o elevam”.

Reitero meu conceito central: o agrônomo é o piloto; a IA é o radar. Pilotar sem radar em um ambiente complexo deixou de ser uma escolha racional, mas o radar sozinho não comanda a aeronave. Ver que nossos jovens empreendedores já entenderam como conciliar essa tecnologia com o fator humano é o que me dá certeza do nosso sucesso.

Nesta nova dinâmica, os papéis são claros e complementares:

  • O Agrônomo (Insubstituível): Ele detém a experiência que nenhuma tecnologia substitui. É o responsável pelo conhecimento profundo de cada área, pela observação de campo e pelo manejo local. É ele quem traz o histórico de decisões, avalia a genética em condições reais e, acima de tudo, detém a estratégia e a decisão final da safra.
  • A Agscore (Camada Analítica): É a inteligência que integra a ciência agronômica por talhão. Sua função é processar mais de 100 variáveis simultâneas, simulando os cenários demandados pelo piloto. Ela oferece um ranking de cultivares por ambiente e janela através de análises explicáveis e auditáveis, permitindo a quantificação do risco e do potencial produtivo antes mesmo do plantio.

O resultado dessa integração é um profissional muito mais assertivo. O agrônomo deixa de gastar energia tentando processar dados manualmente para focar no que realmente importa: a gestão da estratégia e a mitigação dos riscos. Afinal, no agro moderno, a tecnologia oferece o mapa, mas quem conhece o chão e define o rumo é o piloto.

agro brasileiro

Enxergar antes para liderar

Do dado à vantagem competitiva, o que gera valor é a capacidade de transformar informação em decisão superior. Isso significa maior previsibilidade, melhor alocação de recursos e, acima de tudo, a redução drástica do custo da imprecisão.

O agro brasileiro já provou sua capacidade de execução; agora, o desafio é evoluir na qualidade da decisão. Resultados recentes de operações com o suporte da Agscore na Safra 25/26 mostram que esse caminho é sem volta: vimos casos em que a assertividade atingiu 100% dos talhões, com todas as previsões dentro do intervalo esperado. Mais do que isso, a tecnologia permitiu reduzir o “espaço de decisão” — de 7 para apenas 2 cultivares ideais por área — resultando em um ganho real de +2,3 sacas por hectare.

A emergência dessas soluções sinaliza que entramos, definitivamente, na era da agricultura orientada por decisão. Uma era onde o método próprio do agrônomo não é substituído, mas sim afinado e complementado com respaldo técnico auditável.

O futuro já começou, e nele, prever será tão importante quanto produzir. Nosso protagonismo será medido pela nossa capacidade de inovar de forma colaborativa e inteligente, garantindo que a decisão certa seja sempre sustentada por dados e confirmada na colheita.

O fato é que a agricultura entrou, sem pedir licença, na era dos dados. Sensores no solo, imagens de satélite, algoritmos preditivos, plataformas de gestão, inteligência artificial, automação, internet das coisas. Tudo isso já está no campo — e não como promessa futurista, mas como realidade operacional. A pergunta, portanto, não é se o engenheiro agrônomo deve lidar com tecnologias digitais. A pergunta correta é: se ele não lidar, quem lidará em seu lugar? Clique aqui e saiba mais!

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