O preço do boi gordo voltou a cair no final de abril. Uma queda esperada para o período do ano e as incertezas diante das exportações de carne bovina para a China.
Essa queda acontece devido a ligeira maior oferta de animais para o abate. No entanto, basta uma sinalização de queda no físico, ainda que discreta, para o mercado futuro do boi gordo desabar ainda mais!
Temos comentado muito no Farmnews a esse respeito, ou seja, do descolamento do físico e futuro, o que reforça o viés de baixa, pelo menos de acordo com os dados esperados do boi gordo na B3.
O problema, ao nosso entender, não é a queda no mercado físico que, como mencionado, é esperado, sem exageros. No entanto, a força do descolamento no futuro que chama a atenção. E basta uma queda no físico para a queda no mercado futuro se intensificar.
Os efeitos negativos desse descolamento de preço, na percepção do pecuarista foi um dos temas discutidos pelo Farmnews. Isso porque muitas vezes o preço futuro do boi gordo pode sim estimular uma maior intenção de venda no físico e é esse o cuidado que temos destacado aqui. Claro, o momento da decisão de venda é particular a cada pecuarista, de acordo com sua estratégia e recursos, tanto operacionais como financeiros. Mas é importante estar atento também aos fundamentos e não apenas na B3.
Após uma leve recuperação no preço esperado da arroba em abril (22), após sucessivas e expressivas quedas, o preço esperado da arroba voltou a cair forte em abril (23).
No início da tarde o preço do boi gordo para vencimento em maio de 2026 foi cotado pouco acima de R$340,0 por arroba, chegando a alcançar queda de cerca de R$8,0 por arroba frente ao ajuste anterior, de R$348,9 por arroba.
Os dados do mercado futuro ainda são parciais e embora ainda possam mudar, a tendência de forte queda em abril (23) não deve ser alterada. E, caso confirme o preço esperado para maio em patamares próximos de R$340,0 por arroba, esse será o menor patamar desde a primeira metade de março e, uma expectativa de queda importante em relação ao valor atual no físico.
E por falar nos receios com a venda de carne bovina do Brasil para a China, os dados parciais da exportação do produto brasileiro até a 3 semana de abril ou 12 dias úteis, seguem acima do que observado em abril de 2025. No entanto, a diferença entre abril de 2026 e abril de 2025 diminuiu, embora ainda seja esperado novo recorde para o período do ano.
Na parcial de abril de 2026, que considerou 7 dias úteis, a média diária de embarque de carne bovina in natura foi de 13,89 mil toneladas métricas valor 15,1% acima do que foi observado em abril de 2021, quando em 20 dias úteis, a média diária de embarque ficou em 12,07 mil toneladas métricas.
No entanto, na segunda parcial de abril de 2026 que considerou 12 dias úteis, a média diária de embarque caiu para 12,77 mil toneladas métricas, valor 5,8% acima da média diária de abril de 2025.
Além da queda no ritmo de embarque de carne bovina do Brasil para o mercado internacional na parcial de abril, a venda de carne bovina no mercado doméstico também caiu no início da segunda metade de abril. Isso mostra que a demanda por animais prontos para o abate pela indústria também diminuiu, o que, somada a maior inteção de venda do pecuarista, pressiona o preço do boi gordo.
Apesar da pressão de queda atual, o cenário segue otimista para 2026. O movimento de valorização da arroba do boi gordo não acontece sem oscilações e movimentos sazonais de queda. É natural.
E com relação a 2026 como um todo, é interessante que em abril de 2026 o USDA revisou, para cima, a expectativa de exportação de carne bovina do Brasil frente a previsão anterior. No entanto, a expectativa para 2026 segue abaixo da observada em 2025. E ao mesmo tempo que o USDA revisou, para cima, a expectativa de venda de carne bovina do Brasil para o mercado internacional, diminuiu a perspectiva de compra de carne bovina pela China. Isso mostra que, de fato, a carne bovina brasileira segue cada vez mais disputada no mercado internacional e, não apenas pela China!
Nesse contexto, a importação de carne bovina do Brasil pela China alcançou o maior patamar para um 1° trimestre, em 2026. A exportação de carne bovina do Brasil para a China somou 325,42 mil toneladas métricas no 1° trimestre de 2026, valor 16,3% acima do praticado no mesmo período de 2025 (279,71 mil toneladas) e novo recorde para o período do ano.
É importante observar, apesar do recorde de vendas para a China, que a participação chinesa na exportação total de carne bovina do Brasil vem diminuindo ano a ano. Em 2026 a importância da China para o País foi menor comparado ao mesmo período dos anos anteriores. Claro, a queda é discreta, mas mostra que o aumento das vendas para outros países tem aumentado mais que a demanda chinesa. Isso comprova a maior procura pela carne bovina brasileira no mercado internacional, seja pelos EUA, Chile, Rússia, UE entre outros.
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